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Internacional

Investigação contra ex-chefe do BND envolve documentos sigilosos e contatos estrangeiros

August Hanning e seu ex-chefe de gabinete foram detidos na Alemanha em uma investigação sobre espionagem e tentativa de alta traição.

Investigação contra ex-chefe do BND envolve documentos sigilosos e contatos estrangeiros
Foto: AFP

August Hanning, que dirigiu o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) entre 1998 e 2005, foi preso nesta terça-feira (6) sob suspeita de espionagem e tentativa de alta traição. A Procuradoria Federal alemã também deteve seu ex-chefe de gabinete, identificado como Manfred D., investigado por cumplicidade nos mesmos crimes.

Os procuradores afirmam que Manfred D. utilizou funções exercidas no gabinete de Hanning e de seus sucessores, entre 2012 e 2026, para acessar informações confidenciais. O material teria sido entregue a Hanning em troca de remuneração. Conforme a investigação, cerca de 2.000 documentos foram repassados ao ex-dirigente, muitos destinados exclusivamente ao uso interno do BND.

A Procuradoria Federal disse que Hanning é suspeito de obter segredos de Estado e de manter contato com representantes de serviços de inteligência estrangeiros. Em uma das situações investigadas, ele teria usado informações sigilosas para preparar uma análise destinada a um agente estrangeiro. Os investigadores ainda não esclareceram se o material chegou ao destinatário.

Os serviços de inteligência estrangeiros supostamente beneficiados não foram identificados. As apurações também apontam que Hanning teria transmitido, durante vários anos, informações políticas parcialmente baseadas no material obtido por Manfred D. Entre os documentos citados na investigação estão dados sobre o programa nuclear iraniano e o Exército russo.

Imóveis ligados aos dois homens foram revistados em vários locais, incluindo Berlim. O atual chefe do BND, Martin Jaeger, afirmou que a agência iniciou investigações internas assim que tomou conhecimento das suspeitas e declarou que “não pode haver concessões em relação à segurança interna”. Hanning não respondeu a um pedido de comentário, e a Chancelaria alemã não quis se manifestar.

A investigação começou após Hanning ser relacionado ao caso de Christina Block, herdeira de uma rede de restaurantes julgada por ordenar o sequestro de seus dois filhos. Hanning e um policial aposentado foram acusados de receber de Block mais de 100 mil euros, cerca de R$ 559 mil, para levar as crianças da Dinamarca, onde viviam com o ex-marido dela. Uma propriedade de Hanning foi revistada em setembro de 2025 durante essa apuração.

A prisão ocorre em meio a outros casos de espionagem que marcaram a história alemã. Em 1974, o chanceler da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, renunciou depois que um espião da Alemanha Oriental foi descoberto como seu assessor pessoal. Em 1990, um funcionário da contrainteligência da Alemanha Ocidental foi condenado por espionagem para a Alemanha Oriental durante a década de 1980.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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