A Alemanha investiga uma sequência de ataques contra instalações elétricas em meio ao aumento das preocupações com a segurança de infraestruturas críticas e às vésperas de uma eleição estadual no domingo (6). Autoridades ainda não confirmaram se o homem que reivindicou parte das ações é o responsável pelos ataques ou se atuou sozinho.
O ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt, afirmou que as evidências indicavam um caso de “extremismo climático”. Herbert Reul, ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, disse que o suspeito, de 48 anos, declarou em cartas enviadas a autoridades e veículos de imprensa que sua oposição aos combustíveis fósseis motivou os ataques.
A polícia encontrou nesta sexta-feira (4) o que pareciam ser explosivos na residência do homem, que está sendo procurado. Reul afirmou que as cartas citavam outros possíveis alvos, incluindo uma subestação em Weisweiler, perto de Aachen.
Ataques a subestações
Na terça-feira, uma ação contra uma subestação em Bergheim, perto de Colônia, deixou cinco unidades de geração de energia fora de operação. Um material condutor aparentemente foi lançado sobre uma estrutura de alta tensão, provocando um curto-circuito. Depois, a polícia localizou vários dispositivos de lançamento nas proximidades.
Na noite de quinta-feira (3), um transeunte encontrou, em Dormagen, ao sul de Düsseldorf, tubos com cabos e temporizadores apontados para uma subestação. A polícia apreendeu dois dispositivos de lançamento na região.
Possíveis explosivos ou artefatos incendiários também foram encontrados em linhas de transmissão de duas subestações no distrito de Görlitz, na Saxônia. A ocorrência levou a uma operação policial em instalações ligadas à mineração de lignito e à geração de energia da Lusácia.
Em Brandemburgo, dispositivos com material condutor danificaram linhas de transmissão em um dos principais pontos de conexão de alta tensão do estado. A polícia não descartou uma ligação entre esse episódio e os ataques reivindicados pelo homem.
Outras hipóteses
As autoridades alemãs também consideram a possibilidade de os ataques terem sido patrocinados por um Estado estrangeiro ou realizados por extremistas de esquerda. Dobrindt declarou que o país enfrenta simultaneamente sabotagem, ataques cibernéticos, operações clandestinas, extremismo e terrorismo de Estado. Para ele, o número de ameaças e de ataques aumentou e pode continuar crescendo.
A Alemanha responsabilizou formalmente a Rússia por um ataque com drone ocorrido em agosto no aeroporto de Leipzig/Halle. O governo classificou o episódio como parte de uma guerra híbrida contra países que apoiam a Ucrânia desde a invasão russa em larga escala, em 2022. A Rússia rejeitou as acusações.
O ministério de Dobrindt já havia afirmado que não era coincidência a ocorrência desses ataques híbridos antes da eleição. Na disputa estadual, a Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as pesquisas.
Um porta-voz do premiê Friedrich Merz afirmou que o número de ataques frustrados ou malsucedidos mostra que as medidas de segurança funcionam.


