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Internacional

Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt amplia pressão sobre a Alemanha e a UE

Avanço regional da direita radical reacende o debate sobre o governo alemão, a coesão europeia e o apoio à Ucrânia.

Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt amplia pressão sobre a Alemanha e a UE
Foto: Reuters via BBC

A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições locais da Saxônia-Anhalt ampliou a pressão sobre o governo de coalizão em Berlim e provocou preocupação em instituições da União Europeia. Embora a votação tenha ocorrido em uma das menores regiões alemãs, o partido nacionalista de direita radical obteve sua primeira vitória eleitoral expressiva desde a queda do Terceiro Reich, em 1945, e passou a ter uma chance concreta de governar em nível regional.

A AfD não alcançou a maioria absoluta, mas o resultado foi considerado relevante porque ocorre em um momento de fragilidade política do chanceler Friedrich Merz. Ele havia prometido reduzir a popularidade do partido, que é classificado pelas autoridades alemãs como antidemocrático. As autoridades também consideram radicais de extrema-direita diversas facções regionais da legenda, incluindo a da Saxônia-Anhalt.

A região tem 1,7 milhão dos 59 milhões de eleitores alemães. Apesar do peso eleitoral limitado, a votação pode aumentar as dificuldades do governo nacional e distrair a Alemanha, principal ator da União Europeia, enquanto o bloco enfrenta a agressão russa, disputas tarifárias com Donald Trump e a concorrência econômica da China.

Rússia, Ucrânia e o leste alemão

A AfD é especialmente forte no leste da Alemanha, antiga Alemanha Oriental, e aparece também como o maior partido nas pesquisas nacionais. O partido defende a interrupção da ajuda militar à Ucrânia, a suspensão das sanções contra Moscou e a retomada da compra de energia russa.

O empresário russo Kirill Dmitriev, CEO do Fundo Russo de Investimento Direto, classificou o resultado como histórico e afirmou que o governo alemão estava desacreditado e o chanceler, humilhado. A posição da AfD em relação à Rússia encontra eco no leste alemão, região mais pobre do país.

A Alemanha gastou entre 2,3 e 3 trilhões de euros, conforme as fontes e o cálculo da inflação, para integrar a antiga parte comunista depois da queda do Muro de Berlim, em 1989. Ainda assim, a Saxônia-Anhalt permanece como a região mais pobre do país. No leste, também é comum a chamada Ostalgie, uma nostalgia dos tempos considerados mais estáveis sob o comunismo.

Reação na Europa

A União Europeia acompanha o avanço da AfD em meio a uma temporada eleitoral que, nos próximos 12 meses, terá votações em países como França, Itália, Espanha e Polônia. Em Bruxelas, há preocupação com o crescimento de partidos nacionalistas e de direita radical, sobretudo porque eles defendem plataformas anti-imigração e são frequentemente eurocéticos.

Santiago Abascal, líder do Vox, afirmou no X que a vitória era uma grande esperança para a Alemanha e para a Europa. O ministro francês para os Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, classificou o momento como sério diante da vitória da extrema-direita em uma eleição regional alemã.

A Reunião Nacional da França, liderada por Marine Le Pen, expulsou a AfD de seu grupo no Parlamento Europeu há dois anos, por considerar a legenda radical demais. Apesar das diferenças entre os partidos, a mensagem nacionalista e anti-imigração é um ponto comum entre várias dessas forças.

A preocupação europeia também envolve a guerra na Ucrânia, a segurança e a economia. Bruxelas defende a união do bloco para enfrentar Donald Trump, proteger empresas europeias do dumping de mercadorias da China e manter a pressão sobre a Rússia. Autoridades de segurança afirmam que divisões nas sanções ou uma postura tímida em relação à Otan podem encorajar Moscou.

O resultado da Saxônia-Anhalt expõe a insatisfação de eleitores com partidos tradicionais, serviços públicos, insegurança econômica, imigração e segurança nas ruas. A mudança de voto para a direita ou para a esquerda, porém, não significa necessariamente que todos tenham se tornado extremistas.

Com o slogan Tudo é possível! e a promessa de devolver aos alemães o orgulho do país, a AfD procura transformar essa insatisfação em apoio eleitoral. Partidos até então ausentes do governo regional passaram a ser vistos por parte dos eleitores como uma alternativa possível.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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