São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Merz rejeita deixar o governo após avanço da AfD na Alemanha

Chanceler Friedrich Merz disse estar profundamente chocado com o resultado em Saxônia-Anhalt, mas afirmou que continuará no cargo e com suas reformas.

Merz rejeita deixar o governo após avanço da AfD na Alemanha
Foto: Ralf Hirschberger/AFP

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, descartou deixar o governo depois de a AfD (Alternativa para a Alemanha) conquistar 43,8% dos votos nas eleições de Saxônia-Anhalt. O resultado representa a maior vitória da extrema direita no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Em entrevista realizada nesta segunda-feira (7), na sede da CDU, em Berlim, Merz afirmou estar “profundamente chocado” com o desempenho da legenda. Apesar da reação, disse que a votação precisa ser respeitada e que não pretende abandonar o cargo. “São as regras da nossa democracia”, declarou.

A AfD ampliou sua votação em relação a 2024, quando obteve 32,8% na Turíngia e formou a maior bancada daquele estado. A legenda é classificada pelos serviços de inteligência alemães como um partido de extrema direita comprovada. A sigla contesta a definição no âmbito federal, mas perdeu disputas semelhantes em estados, entre eles Saxônia-Anhalt.

Disputa pelo governo estadual

O governador Sven Schulze afirmou que o mandato passou a pertencer à AfD. O Parlamento tem 30 dias, depois da proclamação do resultado, para escolher o novo ministro-presidente, denominação dada ao chefe do Executivo estadual.

Com 39 cadeiras, a AfD ficou a três da maioria e precisará negociar com a BSW, partido que se define como de esquerda e conservador. O principal candidato da legenda, Ulrich Siegmund, também mencionou a possibilidade de receber dissidentes da CDU, hipótese rejeitada por Merz.

Os partidos mantêm a recusa em formar alianças com a AfD, política conhecida como Brandmauer, ou “firewall”. Na Turíngia, há dois anos, a sigla teve a maior bancada, mas não conseguiu formar um governo. As negociações em Saxônia-Anhalt podem durar semanas e, em caso de impasse, novas eleições poderão ser convocadas.

Rússia e reação nas ruas

Merz afirmou que a votação foi comemorada a 2.500 km de Berlim, em referência à Rússia, mas disse que o apoio alemão à Ucrânia não será alterado. A AfD defende a reaproximação com Moscou para tentar restabelecer o fluxo de gás natural, boicotado pela União Europeia desde o início da guerra, em 2022.

O governo alemão também acusa Moscou de patrocinar uma ação híbrida relacionada a um drone carregado de explosivos levado ao aeroporto de Leipzig no começo de agosto. O tema não teve destaque na campanha, concentrada nas propostas populistas da AfD para cultura, educação, impostos, energia e política externa.

Segundo a polícia, ao menos 5.000 pessoas protestaram contra a legenda diante do Portão de Brandemburgo. Merz, cuja CDU obteve 17,2% dos votos, quase 20 pontos percentuais abaixo do resultado de 2021, prometeu manter seu pacote de reformas e afirmou que ele precisa de “melhor explicação”.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.