São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Redes digitais ampliam preocupação europeia com violência extremista sem motivação política

Autoridades europeias identificaram milhares de endereços ligados a comunidades online que estimulam agressões entre jovens.

Redes digitais ampliam preocupação europeia com violência extremista sem motivação política
Foto: Spencer Platt/Getty Images via AFP/Arquivo

Autoridades europeias identificaram cerca de 4.340 endereços de sites associados ao chamado “The COM”, uma comunidade online ligada ao extremismo violento niilista. A operação, realizada por investigadores de nove países europeus em junho e julho, buscou interromper as atividades da rede, cujo tamanho ainda não foi determinado.

A Europol não reúne estatísticas específicas sobre esse tipo de extremismo. As definições variam, e os episódios podem ser classificados tanto como crimes comuns quanto como atos terroristas. O coordenador de Contraterrorismo da União Europeia, Bartjan Wegter, afirmou que o fenômeno é marcado por “violência pela violência”.

Ataques e prisões

No ano passado, foram registrados 45 ataques terroristas em dez dos 27 países da União Europeia. Nenhum foi considerado um grande atentado com muitas vítimas. Cerca de metade dos casos foi impedida ou fracassou, mas seis pessoas morreram.

A Europol informou que 486 suspeitos de ligação com o terrorismo foram presos em 21 países-membros. Grupos jihadistas estiveram por trás de 24 ataques e responderam por mais de 70% das prisões. Entre todos os detidos, cerca de um terço tinha menos de 18 anos, em sua maioria meninos.

Na Finlândia, um adolescente de 16 anos esfaqueou três colegas estudantes do sexo feminino em 2025. As autoridades disseram que ele compartilhou um manifesto em grupos do WhatsApp, registrou o ataque no Snapchat e pediu que alguém guardasse o vídeo para entregá-lo depois de sua libertação. No documento, afirmou que queria fazer algo “significativo” e “empolgante”. Uma avaliação da União Europeia apontou que não houve motivação política apresentada para o ataque.

Na Itália, um adolescente de 15 anos planejou um assassinato no ano passado para obter notoriedade na internet. No celular, mantinha imagens e vídeos de agressões, assassinatos, ataques a escolas e pornografia infantil.

Comunidades digitais e inteligência artificial

Wegter disse que incidentes desse tipo aumentaram nos últimos dois ou três anos e são organizados por redes online frequentemente conduzidas por jovens e voltadas a jovens. Segundo ele, os grupos podem estimular agressões fora da internet, inclusive contra pessoas sem qualquer relação com os envolvidos.

Um dos grupos monitorados é o 764, fundado pelo americano Bradley Cadenhead, que abandonou o ensino médio. Ele cumpre pena de 80 anos de prisão por crimes relacionados a pornografia infantil e delitos sexuais, mas o grupo continua ativo.

Na Alemanha, um homem de 20 anos apontado como um dos principais integrantes do 764 respondeu, no ano passado, a 123 acusações, entre elas assassinato, estupro e abuso sexual de crianças. O documento europeu descreveu os atos como de “um nível inimaginável de brutalidade e desumanidade”.

A ameaça atual, segundo Wegter, é organizada principalmente pela internet. Ele afirmou que 85% das investigações ocorrem no ambiente digital e defendeu que as forças de segurança tenham instrumentos compatíveis com esse cenário.

A Europol informou que criminosos usam imagens e áudios para produzir propaganda, incluindo deepfakes, memes e GIFs. Bots equipados com inteligência artificial foram empregados para ampliar o recrutamento e promover ideologias terroristas. Aplicativos baseados na tecnologia também foram usados em pesquisas para preparar ataques.

Defensores da privacidade sustentam que as pessoas têm o direito de se comunicar sem intrusão injustificada e acusam autoridades e empresas de enfraquecer proteções com softwares espiões e outros métodos. Wegter defendeu maior cooperação entre autoridades e organizações de outros países, afirmando que acontecimentos fora das fronteiras podem afetar a segurança europeia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.