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Internacional

Finlândia e Suécia adotam modelos de preparação civil diante da ameaça russa

Enquanto o Reino Unido revisa seu plano de crise, países do norte da Europa ampliam treinamento militar e organização da população.

Finlândia e Suécia adotam modelos de preparação civil diante da ameaça russa
Foto: Getty Images via BBC

O debate sobre a preparação para uma eventual guerra ganhou formas diferentes na Europa. No Reino Unido, o governo revisa um chamado “livro de guerra”, desatualizado há décadas, e orienta a população a manter alimentos enlatados e água potável para enfrentar possíveis perturbações. Na Finlândia e na Suécia, a resposta inclui alistamento, treinamento de reservistas e integração entre autoridades, empresas e serviços públicos.

Richard Knighton, chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, afirmou que a ameaça russa tornou o período atual o mais perigoso de seus 35 anos de carreira nas Forças Armadas britânicas. A avaliação ocorre em meio à discussão sobre o preparo psicológico da população e sobre a necessidade de elevar os gastos com defesa.

Preparação além do campo de batalha

A historiadora Margaret MacMillan considera que os riscos não se limitam a uma invasão convencional. Ela cita a possibilidade de corte de cabos submarinos e de ataques cibernéticos contra sistemas essenciais, em uma forma de conflito assimétrico que, segundo ela, vem se expandindo.

MacMillan avalia que a sociedade britânica não está psicologicamente preparada porque se acostumou a considerar a paz como a condição normal. Para a historiadora, a Primeira Guerra Mundial alterou de maneira permanente a percepção europeia sobre os conflitos e eliminou a ideia de que a guerra poderia ser glamourosa.

O general britânico aposentado Richard Shirreff compara o momento atual aos meses anteriores a 1914, quando o conflito era discutido, mas parecia distante. Ele afirma que a Rússia passou a representar uma ameaça persistente à segurança ocidental depois da invasão da Ucrânia em 2014.

Andrew Michta, professor de estudos estratégicos da Escola Hamilton da Universidade da Flórida, diz que parte das elites da Europa ocidental atravessa uma “crise de descrença”. Na avaliação dele, autoridades não têm explicado ao público a gravidade das ameaças. Michta relaciona esse quadro ao processo de desmilitarização iniciado após o colapso da União Soviética, entre 1922 e 1991, quando vários países reduziram os investimentos em defesa.

Países do norte europeu mobilizam a sociedade

A disposição para lidar com a ameaça varia conforme a proximidade geográfica da Rússia. A Suécia abandonou sua política histórica de neutralidade depois da invasão da Ucrânia em 2022 e passou a ser apontada como um dos países europeus mais preparados psicologicamente para uma crise.

O país mantém um sistema de alistamento parcial. Todos os estudantes que concluem a escola devem se inscrever no serviço militar, e as Forças Armadas selecionam os candidatos. O treinamento obrigatório pode durar até 15 meses. Depois, os recrutas retornam à vida civil e integram a reserva.

A analista Minna Alander afirma que há participação significativa dos cidadãos e que algumas pessoas demonstram frustração quando demoram a ser convocadas. A estrutura também identifica profissionais civis, como engenheiros com conhecimento em abastecimento de eletricidade, que podem ser acionados em situações de emergência.

As repúblicas bálticas — Letônia, Estônia e Lituânia — também reforçaram sua posição de defesa. A Alemanha mantém tropas na Lituânia a convite do país, enquanto 1 mil soldados britânicos lideram uma força multinacional na Estônia.

O modelo finlandês

A Finlândia é tratada como referência em preparação civil e resiliência. A experiência do país está ligada à Guerra de Inverno, travada contra a União Soviética entre 1939 e 1940, e à Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945. Dos 100 mil cidadãos nórdicos mortos no conflito mundial, 90% eram finlandeses.

A Finlândia possui 1.287 km de fronteira com a Rússia. Após 2022, também abandonou sua neutralidade e entrou na Otan, ao lado da Suécia. O país adota alistamento masculino universal, recebe mulheres voluntárias e incorpora os militares treinados à reserva.

O general aposentado Arto Raty, ex-secretário permanente do Ministério da Defesa finlandês, afirma que o sistema aproxima as famílias da ideia de segurança nacional. Hospitais e agências de abastecimento de água mantêm planos de gestão de crises, enquanto as Forças Armadas oferecem cursos anuais para parlamentares, ministros, executivos, profissionais de saúde, organizações não governamentais e igrejas. Esse treinamento é realizado desde 1960.

A Finlândia tem cerca de 1 milhão de reservistas treinados e capacidade de mobilizar rapidamente um exército de 280 mil soldados. Em 2025, destinou 2,5% do Produto Interno Bruto à defesa, ante 2,3% do Reino Unido.

Debate sobre o Reino Unido

Shirreff defende que o Reino Unido precisaria de uma forma de convocação para ampliar sua capacidade militar. Para ele, uma força de 70 mil soldados não seria suficiente para o tipo de conflito que o país poderia enfrentar.

O general cita o modelo norueguês, no qual os jovens que concluem a escola são registrados para o alistamento, passam por treinamento e depois seguem para a universidade ou para o mercado de trabalho. Na avaliação dele, os líderes políticos deveriam explicar diretamente à população por que medidas de preparação seriam necessárias para a segurança nacional.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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