A revista alemã Der Stern analisou a presença da família Bolsonaro na política brasileira e afirmou que 18 pessoas com o sobrenome disputarão as eleições de 4 de outubro. O grupo inclui oito integrantes do núcleo familiar do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de outros dez candidatos sem relação de parentesco com a família.
Entre os parentes mencionados estão Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado; Renato Bolsonaro, irmão de Jair, candidato a deputado federal; e os filhos Flávio Bolsonaro, que concorre à Presidência, Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado, e Renan Bolsonaro, que disputa uma vaga de deputado federal. Laura, filha de Jair Bolsonaro, é apresentada como a única integrante do núcleo familiar que não está na política. Ela tem 15 anos.
A publicação compara a família brasileira a outras dinastias políticas, como os Le Pen, da França, e George W. Bush, do Partido Republicano dos Estados Unidos. Para a socióloga Débora Messenberg Guimarães, da Universidade de Brasília, grupos desse tipo costumam existir em escala regional e com menos integrantes. A possibilidade de oito membros de uma mesma família concorrerem em uma eleição é descrita por ela como possivelmente um recorde mundial.
Críticas a Flávio e ao modelo político
A análise também aborda a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho de Jair, ao cargo de presidente. A revista contesta a imagem de outsider e de político antissistema atribuída a ele e o compara a Donald Trump e Javier Milei. O texto afirma que sua trajetória política estaria associada principalmente ao sobrenome da família.
A Der Stern registra ainda que Flávio, 45, é senador e o principal concorrente de Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente, na disputa presidencial. A publicação contrapõe as trajetórias dos dois: Lula teria passado de trabalhador de fábrica a presidente, enquanto Flávio teria avançado de filho de presidente a candidato à Presidência.
A revista também menciona a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, a prisão domiciliar do ex-presidente e investigações sobre corrupção relacionadas a Flávio. O texto cita ainda suspeitas de ligações com o crime organizado envolvendo o candidato do PL e outros integrantes da família.
Segundo a análise, a família teria dado preferência à candidatura de Flávio, embora Michelle pudesse ter mais chances na corrida eleitoral. A publicação relaciona essa escolha à postura sexista atribuída ao grupo.


