A retomada dos bombardeios russos contra Kiev marcou o telefonema entre Donald Trump e Vladimir Putin nesta terça-feira (8). Ao menos cinco pessoas morreram, enquanto a Força Aérea informou a participação de "dezenas de mísseis balísticos" no ataque.
Os militares disseram ter abatido a maioria dos 142 drones e 31 de 32 mísseis de cruzeiro lançados. A escassez de defesa aérea, sobretudo diante de projéteis balísticos, está entre as queixas recentes de Volodimir Zelenski.
Durante a conversa, Trump voltou a defender um encerramento rápido da Guerra da Ucrânia. Putin apresentou sua avaliação sobre a linha de frente e as hostilidades e reafirmou, conforme o assessor presidencial russo Iuri Uchakov, que não planeja atacar integrantes europeus da Otan.
Uchakov afirmou que Trump relacionou o fim da guerra à reconstrução dos vínculos entre Washington e Moscou. "Na sua visão, isso [a restauração total da relação EUA-Rússia] terá impacto particular em comércio e laços econômicos, prometendo enormes benefícios aos dois países", disse o assessor.
Negociações e novos ataques
A ligação ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos retomarem o processo de mediação de um conflito que dura quatro anos e meio. No fim de semana, Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com Putin em Moscou e depois com Zelenski na Ucrânia. Os dois lados descreveram as conversas como positivas, mas ainda não há confirmação de uma negociação direta.
Zelenski avalia que esse encontro pode ocorrer ainda neste mês. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, porém, declarou acreditar que "a vitória está próxima". A negociação havia sido interrompida depois que Trump passou a priorizar sua guerra contra o Irã, no fim de fevereiro.
Zelenski recebeu também a promessa de aliados europeus de até mil mísseis para o sistema Patriot, sem prazo definido. Reino Unido e Alemanha se comprometeram a enviar outros armamentos. A promessa foi considerada superestimada no relato.
Os ataques ucranianos também deixaram mortos. Uma pessoa morreu em Briansk e outra em Belgorodo, regiões meridionais que fazem fronteira com a Ucrânia. Na Crimeia, anexada por Putin em 2014, outros dois civis morreram. A preocupação com ataques russos a integrantes europeus da Otan havia levado Trump a enviar John Ratcliffe, chefe de espionagem americano, a Moscou na semana retrasada.


