Márcio Chaer morreu em 3 de outubro de 2026, deixando uma trajetória ligada ao jornalismo especializado e ao Direito. Fundador, em 1997, de uma revista eletrônica jurídica, ele defendia que o projeto editorial deveria se sobrepor às homenagens, aos personagens e às disputas internas.
A proposta, segundo a visão que repetia aos colegas, era dar voz ao direito de defesa no Brasil e criar um espaço para o aprendizado sobre teses jurídicas. Chaer valorizava a análise dos argumentos por trás dos casos, em vez da atenção concentrada apenas nas pessoas envolvidas. Para explicar essa perspectiva, recorria ao humor de Millôr Fernandes e à imagem do rei sem roupas, enquanto o público olhava para outra direção.
Formação de jornalistas
Aos 26 anos, um jornalista que trabalhava com Chaer foi escolhido por ele e por Maurício Cardoso para chefiar a redação. Durante seis anos, coordenou uma equipe experiente e premiada, enquanto recebia responsabilidades, contatos e desafios que contribuíram para sua formação profissional.
Chaer era descrito como intenso no convívio e pouco disposto a aceitar o que considerava mediocridade. Os debates faziam parte da rotina e também serviam, segundo o relato, para ensinar jornalismo. O trabalho de liderança incluía evitar que as paixões pessoais se sobrepusessem ao projeto editorial.
A revisão do texto era outra preocupação central. Chaer sonhava em convencer repórteres a passar feriados procurando vírgulas incorretas no acervo de milhões de textos publicados. Em sua sala, mantinha a imagem de uma máquina de escrever com espinhos nas teclas. A explicação era direta: “Precisa escrever muito, precisa ser doloroso, até criar calos para aguentar esses espinhos”.
As lições, afirma o relato, continuam entre mais de uma dezena de jornalistas que conviveram com ele e entre outros profissionais formados indiretamente por seu trabalho. Seus ensinamentos também permanecem para milhões de leitores.


