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Vermelho reabre diálogo entre Andujar e Love a partir de arquivos e experimentos

Mostra em São Paulo reúne ampliações contemporâneas e investiga a colaboração artística e afetiva dos fotógrafos nas décadas de 1960 e 1970.

Vermelho reabre diálogo entre Andujar e Love a partir de arquivos e experimentos
Foto: Claudia Andujar/Reprodução

A representação do Arquivo George Love pela galeria Vermelho começa com uma exposição dedicada à colaboração do fotógrafo com Claudia Andujar. Em cartaz em São Paulo, “To Love” reúne ampliações contemporâneas de grande formato produzidas a partir dos arquivos dos dois artistas, sob curadoria de Eder Chiodetto.

A mostra também amplia a leitura sobre o trabalho de Andujar, representada pela Vermelho desde 2003. A parceria com a galeria inclui o compromisso de destinar parte da renda obtida com a venda de obras sobre os yanomami a iniciativas voltadas a esse povo.

Uma parceria formada entre Nova York e São Paulo

Andujar e Love se conheceram em Nova York, em torno da Association of Heliographers, cooperativa de fotógrafos que atuou brevemente na cidade em meados dos anos 1960. Depois de viajarem juntos pela América do Sul, estabeleceram-se em São Paulo em 1966. Casaram-se no ano seguinte e permaneceram juntos até 1974.

Nascida na Suíça e criada no Leste Europeu, Andujar já vivia na capital paulista quando começou a fotografar. Os dois colaboraram com a revista Realidade, da editora Abril, e publicaram imagens em 1971, em uma edição especial sobre a Amazônia. Durante uma das viagens para a reportagem, Andujar encontrou os yanomami pela primeira vez.

A atuação conjunta também passou pelo Masp. Andujar organizou cursos, dirigiu o laboratório e foi convidada a supervisionar o Departamento de Fotografia. Love ministrou um curso que definia a imagem fotográfica como “realidade em si”, aberta à reprodução, à transformação e a novas formas de apresentação.

Em fevereiro de 1971, Love coordenou no vão-livre e nos jardins do museu o happening audiovisual “Som, Imagem e Luz”, com projeções, jogos de luz e uma trilha que incluía cantos do povo indígena xikrin e gravações de Jimi Hendrix. Os dois ainda organizaram exposições no Masp, entre elas “Hileia Amazônica”.

Procedimentos compartilhados

Na exposição, a proximidade entre os autores aparece em retratos, na circulação de equipamentos e na adoção de procedimentos semelhantes. Solarizações, exposições duplas e prolongadas, filmes infravermelhos e mudanças no processamento químico surgem em diferentes conjuntos de obras.

Imagens da pesquisa amazônica reunida no fotolivro “Amazônia”, publicado pela Praxis em 1978 com projeto gráfico de Wesley Duke Lee, ocupam a sala principal do primeiro andar. A montagem usa ampliações, justaposições e jogos cromáticos para retomar o diálogo construído na publicação.

A série “O Reahu”, dedicada a rituais yanomami e apresentada por meio de um díptico vermelho, aproxima o trabalho de Andujar de uma investigação experimental. A exposição também coloca em questão os limites éticos da representação cultural, especialmente diante de imagens relacionadas a temas espirituais.

No segundo andar, a série “Ponta de Filme”, de Love, leva a pesquisa aos limites da abstração. Filmes riscados, furados, velados ou mal processados transformam acidentes e resíduos do processo fotográfico em campos de cor.

O arquivo de Andujar continua revelando imagens. No começo deste ano, fotografias feitas por ela no Rio de Janeiro em 1962 para a revista Look foram divulgadas depois de permanecerem por mais de 50 anos na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Love, por outro lado, teve uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 2024, com curadoria de Zé de Boni, responsável pela guarda de seu acervo.

A mostra reúne, assim, trabalhos que articulam documentação, experimentação e influência mútua. Também marca o reencontro público de dois artistas cuja produção conjunta acompanhou uma relação afetiva e se desenvolveu entre a pesquisa fotográfica, a transformação dos processos e a exploração da materialidade da imagem.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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