A Apple inicia uma nova etapa sob o comando de John Ternus, engenheiro de hardware que construiu sua carreira dentro da empresa e chegou à presidência-executiva sem cultivar exposição pública. A mudança encerra os 15 anos de Tim Cook como CEO, mas mantém o executivo na companhia como presidente-executivo do conselho.
Ternus, de 51 anos, fez sua primeira manifestação pública como CEO na terça-feira (1), ao publicar “Olá” no X. A mensagem recebeu respostas amplamente positivas. Na sexta-feira (4), ele já reunia quase 1 milhão de seguidores.
Uma sucessão preparada por Cook
A transição oficial durou quatro meses. Nesse período, Ternus acompanhou Cook discretamente em algumas aparições, entre elas a reunião anual da Berkshire Hathaway. Para Wamsi Mohan, analista sênior do Bank of America, a permanência de Cook por algum tempo ajuda a preservar a confiança durante a mudança.
Pessoas familiarizadas com o pensamento de Cook afirmam que ele refletia sobre a sucessão desde os primeiros anos no cargo. A experiência anterior do executivo havia sido prolongada e difícil por causa da doença de Steve Jobs, e ele considerava a escolha de seu sucessor uma de suas tarefas mais importantes na Apple.
A nomeação de Ternus surpreendeu investidores quando foi anunciada em abril. A empresa havia feito pouco para ampliar a visibilidade do então responsável pela engenharia de hardware. Mesmo no Apple Park, ele não era uma figura amplamente conhecida.
Trajetória dentro da empresa
Ternus nasceu e cresceu na Califórnia, é casado e tem filhos. Colegas de escola se lembram dele como um excelente nadador. Ele estudou engenharia mecânica na Universidade da Pensilvânia e se formou em 1997, no mesmo ano em que Elon Musk concluiu a graduação.
Depois de trabalhar na Virtual Research Systems, empresa de realidade virtual, Ternus entrou para a equipe de produtos da Apple em 2001. Em um discurso de formatura em 2024, ao lembrar seu primeiro dia na companhia, afirmou: “Para ser sincero, não tinha certeza de que pertencia àquele lugar”.
Sua carreira incluiu a transição dos computadores pessoais do plástico para o metal de acabamento sofisticado e o desenvolvimento dos AirPods. Dan Riccio foi um de seus primeiros mentores. Em 2021, Ternus substituiu Riccio como vice-presidente sênior de engenharia de hardware e liderou a integração dos chips próprios da Apple aos Macs.
Com isso, ele se tornou o primeiro engenheiro de produto a comandar a Apple. Sua longa permanência na empresa também representa continuidade com a geração formada sob a influência de Jobs, cofundador da companhia.
Pressão por produtos
A Apple está avaliada em US$ 4,7 trilhões (R$ 24,1 trilhões), enquanto sua cadeia de suprimentos permanece no centro de tensões geopolíticas. As ações subiram 18% neste ano, em parte porque a empresa decidiu não entrar na corrida mais cara para construir infraestrutura de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o crescimento das vendas de produtos desacelerou, e investidores esperam dispositivos capazes de renovar o interesse do mercado.
Mohan afirma que o tamanho atual da companhia tornou o comando mais complexo. O histórico de Ternus inclui relatos de ceticismo em relação ao Vision Pro, headset de realidade virtual da Apple que se revelou um fracasso comercial. Essa posição é associada à preferência por produtos que as pessoas queiram usar, em vez de propostas novas e arriscadas.
Em sua primeira mensagem aos funcionários, porém, Ternus indicou que pretende recuperar a expectativa associada à fase de produtos marcada por Jobs. Ele disse estar animado com criações “que ainda nem imaginamos, que vamos sonhar e criar juntos”.
A estreia de maior visibilidade ocorrerá na quarta-feira (9), quando Ternus comandará o lançamento anual do iPhone. A expectativa é que a Apple apresente o primeiro iPhone dobrável.
No Apple Park, uma festa realizada na terça-feira para receber o novo CEO teve apresentação de Zane Lowe, diretor criativo da Apple Music. Um funcionário afirmou que não participou porque já estava acostumado à mudança no comando da empresa.


