A expansão dos sistemas de inteligência artificial já afeta os preços de eletrônicos de consumo. Desde setembro de 2025, os preços de fábrica na Coreia do Sul aumentaram 445% para DRAM e 244% para memória flash, conforme índices de preços ao produtor. A alta alcança produtos como celulares e laptops, que utilizam esses componentes.
Data centers exigem grandes volumes de HBM (Memória de Alta Largura de Banda), responsável por permitir que processadores operem em alta velocidade, e de memória flash, empregada em alguns tipos de armazenamento. Com a migração dos fabricantes para esse mercado, a produção de DRAM (Memória Dinâmica de Acesso Aleatório), usada em aparelhos eletrônicos de consumo, foi deslocada.
Samsung e SK Hynix estão entre as três grandes fabricantes de HBM. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor de software e acessórios de computador avançou 31% no mesmo período, enquanto os preços em geral subiram 2,6%.
Alta em diferentes categorias
Dados da Keepa, plataforma que acompanha os preços na Amazon, foram usados para avaliar os dez itens mais vendidos em seis categorias de eletrônicos no site americano da varejista. Os laptops ficaram 20% mais caros desde setembro de 2025. Os consoles PlayStation 5 subiram mais de 30%, e os pen drives, quase 100%.
Os celulares foram a única categoria a contrariar o movimento. Os modelos de iPhone mais vendidos na Amazon são antigos e estão perdendo valor. É provável que os consumidores estejam comprando versões mais recentes diretamente da Apple.
A Amazon pode não representar o mercado inteiro, e fatores específicos também influenciam os preços. A expectativa pelo lançamento de Grand Theft Auto 6 (GTA 6) pode estar contribuindo para a valorização dos PlayStations. O governo de Donald Trump considera tarifas sobre semicondutores, medida que poderia ampliar a pressão.
O mercado de chips de memória é cíclico. Novas fábricas exigem investimentos iniciais elevados e demoram para entrar em operação, o que torna lenta a reação da oferta ao aumento da demanda. Analistas esperam que o avanço da IA eleve ainda mais os preços.
Elon Musk afirma que, dentro de dez anos, a inteligência artificial produzirá bens e serviços em quantidade suficiente para levar à deflação. Por enquanto, a demanda dos data centers aponta para o movimento contrário.


