São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
País

Augusto Cury chega a 11% e ocupa espaço entre Lula e Flávio Bolsonaro

Candidato do Avante avançou nas pesquisas AtlasIntel e BTG/Nexus após maior exposição na campanha e nas redes sociais.

Augusto Cury cresce nas pesquisas e reacende 3ª via em eleição polarizada
Foto: Otávio Brito/Art Metrópoles

Augusto Cury (Avante) alcançou 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus e 7,8% no levantamento AtlasIntel, divulgados na segunda-feira (31/8). O desempenho colocou o escritor na terceira posição nas duas sondagens e fez dele o primeiro candidato fora da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a atingir dois dígitos em uma pesquisa para a Presidência em 2026.

Na AtlasIntel, Cury passou de 1,6% para 7,8%, avanço de 6,2 pontos. Na BTG/Nexus, subiu de 2% para 11%, alta de 9 pontos. O crescimento reacendeu a discussão sobre a possibilidade de uma candidatura alternativa romper a polarização prevista entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Exposição e comportamento do eleitorado

Marcelo Tokarski, CEO do Nexus, relacionou o resultado da BTG/Nexus à repercussão da participação de Cury no Jornal Nacional, no sábado (29/8). O candidato também teve aumento nas buscas do Google e ampliou sua exposição nas redes sociais.

“Ele bombou nas redes, isso se refletiu nas buscas do Google”, afirmou Tokarski. Segundo ele, a visibilidade fez com que eleitores ainda sem candidato definido passassem a considerar Cury, sobretudo pessoas que demonstravam inclinação a votar em Flávio Bolsonaro, mas também parte dos eleitores de Lula e de Romeu Zema (Novo).

Tokarski afirmou, porém, que ainda não é possível determinar se o avanço representa uma tendência. “A dúvida agora é se ele vai se manter”, disse. Para ele, o candidato pode continuar crescendo, permanecer no atual nível ou recuar após o aumento de interesse.

O executivo também apontou diferenças entre Cury e candidatos que tentam superar a polarização com um discurso mais agressivo, como Renan Santos (Missão). A postura mais moderada e menos confrontativa do escritor poderia ampliar sua capacidade de diálogo com diferentes grupos.

Espaço entre direita e esquerda

Yuri Sanches, diretor de análise política da AtlasIntel, avaliou que o crescimento de Cury não decorre apenas da exposição recente. Para ele, o candidato ocupou um espaço ainda não preenchido por outras alternativas, que concentraram suas mensagens no eleitorado de direita.

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), por exemplo, apresentaram propostas próximas às de Flávio Bolsonaro em alguns temas. Cury procurou dialogar também com eleitores de Lula. No debate da Band, criticou Renan Santos por ataques a eleitores do presidente, movimento que ajudou a associá-lo a uma candidatura capaz de conversar com os dois polos.

Os dados da AtlasIntel indicam avanço entre eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro, com maior força entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro em 2022: quase 10% desse grupo, contra cerca de 4% entre os eleitores de Lula no segundo turno.

Sanches também identificou crescimento entre mulheres, eleitores de menor renda e moradores do Nordeste, segmentos associados tradicionalmente ao PT. O candidato avançou ainda no Centro-Oeste, no Norte e entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.

Apesar do salto, o analista estimou que Cury poderia se estabilizar entre 4% e 5% caso o desempenho se consolide. Ele também afirmou que a manutenção dos índices dependerá da reação a ataques de adversários. Para Sanches, o resultado já supera o desempenho de nomes da terceira via em 2022, como Simone Tebet (PSB-SP) e Ciro Gomes (PSDB), e indica uma demanda limitada por um voto crítico no primeiro turno.

Estratégia da campanha

A assessoria de Augusto Cury atribuiu o avanço ao aumento da exposição durante a campanha e à circulação de entrevistas, debates, propostas e compromissos nas redes sociais. A equipe afirmou que a estratégia busca ampliar o conhecimento dos eleitores sobre a candidatura.

O discurso do candidato tem priorizado educação, saúde mental, tecnologia, empreendedorismo, segurança pública e redução da polarização. A campanha apresenta Cury como uma alternativa de centro para eleitores que procuram uma candidatura fora da disputa entre Lula e o campo bolsonarista.

O crescimento digital também levou campanhas adversárias a estudar uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar o engajamento dos perfis do escritor. A suspeita envolve o aumento de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram depois do debate da Band, crescimento que os rivais consideram não orgânico.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.