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Devotos reorganizam entrega de doces de Cosme e Damião no Rio

Festas em templos e entregas combinadas tentam preservar a tradição diante de mudanças nos bairros e nos hábitos das famílias.

Devotos reorganizam entrega de doces de Cosme e Damião no Rio
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

A distribuição de doces de São Cosme e Damião deixou de depender apenas das crianças que circulavam pelas ruas e passou a ser organizada em templos, festas e pontos previamente escolhidos. No Rio de Janeiro, devotos também adaptam os saquinhos ao gosto das crianças e às condições de cada bairro.

Amanda Teixeira, 43, moradora da Barra da Tijuca, fará a primeira distribuição neste domingo. Ela pretende entregar os doces de carro e preparou 50 saquinhos. A quantidade poderá aumentar nos próximos anos caso seu pedido seja atendido. “Vou dar 50 saquinhos. Se Cosme e Damião e Deus permitirem que as coisas melhorem, ano que vem darei 100, e depois 150, e vamos melhorando”, afirmou.

Na Barra, segundo Amanda, muitas famílias não aceitam os doces. As crianças que participam costumam ficar nos canteiros da avenida principal, o que permite localizar quem espera pela distribuição. A babá Kelly Reis, 32, orientou a escolha dos produtos. Amanda combinou doces tradicionais, como pé-de-moleque e paçoca, com opções mais recentes. Balas de gelatina foram deixadas de lado neste ano porque ficaram caras.

Tradição entre diferentes religiões

A entrega de sacos de doce surgiu na primeira metade do século 20, em meio à aproximação entre referências do catolicismo, do candomblé e da umbanda. Os primeiros registros em jornais cariocas são da década de 1940. Antes disso, já havia no candomblé baiano o caruru dos meninos, oferecido aos ibejis.

Na tradição cristã, Cosme e Damião eram médicos que tratavam doentes por caridade. Viveram na região do mar Egeu, entre a Europa e a Ásia, e foram martirizados durante a perseguição romana aos cristãos no século 3. O candomblé cultua os ibejis, meninos gêmeos, enquanto a umbanda celebra os erês, espíritos de crianças associados à troca de doces e guaraná.

Na paróquia dos santos gêmeos, no Andaraí, o diácono Eugênio Júnior explica que a Igreja Católica reconhece como santos apenas Cosme e Damião. Doum, frequentemente representado ao lado dos irmãos, é uma representação popular da umbanda. A Igreja celebra os santos no dia 26, mas a paróquia também realiza a comemoração no dia 27, data seguida por muitos devotos.

A paróquia promove uma trezena e programou festas com bateria de escola de samba e festival de pastel. O padre Rodrigo Brum relaciona a celebração religiosa às manifestações culturais. “Com a cultura a gente consegue alcançar a muitos corações”, disse.

Festas em templos

No templo de umbanda Ogum Beira-Mar, no Cachambi, Tiane Appolinário, 47, e outros médiuns prepararam brinquedos, saquinhos de doces e um enxoval para gestantes. Também está prevista uma gira com os erês. O templo reúne cerca de 350 médiuns e recebe outras centenas de visitantes ao longo do dia.

Tiane, que foi batizada na igreja de São Cosme e Damião, conta que na infância faltava às aulas para pegar doces. Hoje, ela afirma que os devotos precisam perguntar às mães se as crianças podem receber os produtos. Bianca Chaves, também médium do templo, diz que a violência reduziu a distribuição nas ruas, mas que festas organizadas nos templos ajudaram a manter a prática.

Os seguidores da tradição citam ainda o crescimento da cultura evangélica, que em geral não aceita os doces, a facilidade de comprar chocolate e a dinâmica das grandes cidades. Também afirmam que há menos bairros com convivência entre vizinhos.

O saquinho tradicional costuma reunir doces brancos, como cocada, maria-mole e suspiro, além de paçoca e pé-de-moleque. Com o tempo, balas, gomas de mascar, bombons e barras de chocolate passaram a integrar a distribuição. Os saquinhos são entregues como pagamento de promessas ou pedidos de graça.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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