SÃO PAULO — Mais de 210 eleitores identificados com o nome social estão aptos a votar nas eleições gerais de 4 de outubro em Araraquara, Rio Claro e São Carlos. O recurso permite que transexuais e travestis sejam reconhecidos pelo nome com o qual se identificam.
O estudante universitário Isaac de Almeida Ferreira participará pela primeira vez de uma eleição usando o nome social. Durante a transição de gênero, ele relata ter enfrentado preconceitos, mas afirma que o reconhecimento pelo nome escolhido é importante. “É uma sensação bem libertadora você poder ter o respeito pelo seu nome”, disse.
O Tribunal Superior Eleitoral passou a adotar o nome social nas eleições em 2018. Levantamento do órgão mostra variações no número de eleitores que utilizam o recurso nas três cidades.
São Carlos registrou 61 eleitores com nome social em 2022, 84 em 2024 e 104 em 2026. Em Araraquara, foram 54 em 2022, 61 em 2024 e 67 em 2026. Rio Claro teve 46 em 2022, 51 em 2024 e 43 em 2026.
Alteração de documentos
Em 2022, uma nova lei simplificou o processo para quem deseja alterar o nome em todos os documentos. Desde então, não é necessário recorrer à Justiça para fazer a mudança.
Manuela Sodré, oficial de Cartório de Registro Civil de Araraquara, explicou que a alteração pode ser feita por autodeclaração. “É possível alterar efetivamente o nome pelo qual a pessoa se identifica através de uma autodeclaração”, afirmou.
Após a mudança, o cartório envia automaticamente um ofício à Justiça Eleitoral e aos demais órgãos de identificação. A influenciadora Larissa Gabrielle dos Santos fez a alteração dos documentos em fevereiro deste ano, depois de esperar anos pelo reconhecimento oficial do nome escolhido. Ela também espera utilizar esse nome no título de eleitor.


