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Feijoa enfrenta baixa produção no Brasil, apesar de cultivo consolidado no exterior

Fruta nativa do Sul brasileiro é usada na Nova Zelândia e na Colômbia, enquanto agricultores nacionais ampliam o plantio de forma gradual.

Feijoa enfrenta baixa produção no Brasil, apesar de cultivo consolidado no exterior
Foto: Anastasia Yudin/Pexels

A feijoa ainda tem produção reduzida no Brasil, mas agricultores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul começaram a ampliar as áreas cultivadas. Em São Joaquim (SC), Adriano Costa, 54, produz a fruta há 14 anos e está expandindo o cultivo para dois hectares, com mil árvores em cada área.

Neste ano, Costa colheu oito toneladas. A produção é vendida na região, in natura, por R$ 12 a R$ 25 o quilo, além de ser transformada em sorvetes, sucos, cervejas e polpas congeladas. O produtor começou com vendas de porta em porta e, depois, estabeleceu pontos comerciais. “Ela tem um sabor único que precisa ser conhecido pelo Brasil”, afirma.

Uma fruta brasileira fora do país

Também conhecida como goiabeira-serrana, a feijoa tem casca verde e dura, polpa macia e aroma associado ao abacaxi. A espécie é nativa do sul do Brasil e já era usada como alimento pelos povos xokleng, kaingang e guarani, que ocupavam áreas de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e do norte do Uruguai. Descendentes indígenas ainda utilizam a planta para fins medicinais.

A circulação internacional da espécie ganhou força no século 19. Depois da chegada da família real portuguesa, em 1808, naturalistas passaram a estudar plantas brasileiras. O botânico alemão Friedrich Sellow enviou amostras da fruta à Europa. Em 1856, Otto Berg catalogou o material e deu à espécie o nome Feijoa sellowiana, em referência a Sellow e ao naturalista brasileiro José da Silva Feijó, nascido no século 18.

Cerca de 50 anos depois da descrição científica, o francês Édouard André levou feijoas uruguaias ao sul da França. A planta se adaptou, produziu frutos e passou a despertar interesse em outros países. Nos Estados Unidos, Francesco Franceschi cultivou a espécie em Santa Bárbara, na Califórnia, e divulgou suas características entre clientes.

No começo do século 20, a goiabeira-serrana chegou à Colômbia e à Nova Zelândia, onde se adaptou ao clima. A Nova Zelândia se tornou um dos maiores produtores mundiais e usa a fruta em geleias, bebidas e sorvetes. A área de cultivo comercial no país é de 116 hectares, além das árvores mantidas em quintais. A colheita ocorre de fevereiro a abril.

Obstáculos ao cultivo nacional

No Brasil, pesquisadores e pequenos agricultores relatam que o interesse pela espécie aumentou nos últimos dez anos, mas a produção ainda é pequena e não pode ser medida com precisão. Rubens Nodari, da Universidade Federal de Santa Catarina, atribui o desconhecimento à falta de estudos, marketing e uma cadeia produtiva estruturada.

A Epagri mantém, desde 1985, programas para desenvolver variedades mais resistentes a pragas e mais produtivas. Ainda assim, falta conhecimento consolidado sobre o manejo. As mudas levam de 3 a 5 anos para frutificar e gerar o primeiro retorno econômico. O cultivo brasileiro também é sazonal, ao contrário do colombiano, que produz o ano todo.

A colheita exige trabalho porque o fruto não muda de cor quando amadurece: ele apenas cai do galho. A durabilidade é outro problema, pois a fruta perde sabor rapidamente. A planta também prefere locais altos e de clima mais frio.

Para Samira Moretto, pesquisadora da Universidade Federal da Fronteira Sul, a divulgação da fruta pode contribuir para preservar uma espécie nativa associada às florestas de araucária. Na Nova Zelândia, um composto da feijoa foi patenteado como suplemento relacionado à prevenção de artrite reumatoide e diabetes tipo 2, embora ainda não tenha estudos revisados por pares.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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