TRÊS CORAÇÕES — O cafeicultor Sérgio Nabak terá de refazer o manejo de parte da lavoura atingida por uma chuva de granizo no Sul de Minas. Na fazenda, 30% dos 50 hectares cultivados foram afetados. A tempestade derrubou folhas e danificou as que permaneceram nas plantas.
O produtor estima que será necessário fazer o esqueletamento da lavoura, repetir os tratos culturais e ampliar o uso de mão de obra para estimular a recuperação. Ele afirmou que a área atingida não deverá produzir nas próximas safras e que espera colher novamente apenas em 2028. “É só o prejuízo agora para frente”, disse Nabak.
A florada do café ocorre entre setembro e outubro e pode se estender até novembro. O período é responsável pela formação dos frutos e marca o início da definição produtiva da safra. Por isso, a recuperação das plantas afetadas ocorre em uma etapa relevante do ciclo da cultura.
O engenheiro agrônomo Guilherme Gaudêncio, da Procafé, explicou que a extensão dos danos depende da intensidade da chuva. Em trechos menos afetados, os produtores podem aplicar fungicida, cobre e produtos nutricionais para auxiliar o desenvolvimento da lavoura e reduzir as perdas.
Nas áreas atingidas com maior severidade, porém, o granizo pode provocar a perda de folhas, ramos e flores. Segundo Gaudêncio, a planta fica sem parte da fonte de energia necessária para se desenvolver, e os efeitos podem alcançar a safra atual, a seguinte e até dois ou três anos da lavoura.
Os produtores também podem buscar apoio do poder público e negociar operações de crédito rural com instituições financeiras. O advogado especializado em Direito no Agronegócio Vinicius Barquette orientou que o primeiro passo é obter um laudo técnico elaborado por um agrônomo, com a descrição dos prejuízos nesta safra e nas próximas, se houver.
Esse documento pode ser usado para acionar o seguro e solicitar indenização. Quando não há cobertura, também serve para pedir o alongamento de dívidas contratadas com instituições financeiras, cooperativas e empresas do setor.
Mesmo com os danos, Nabak disse que pretende continuar na atividade e iniciar a recuperação da plantação. “A gente é persistente”, afirmou.


