LONDRES — Uma foto encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostra o empresário ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante uma confraternização realizada em abril de 2024. O registro também exibe outras duas pessoas, distribuídas em duas mesas com copos de uísque e charutos.
A imagem foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master. Na mensagem que acompanhava o arquivo, Soares escreveu: “PG me mandou”. As iniciais fazem referência a Paulo Gonet.
Mensagens citadas no relatório
No início deste mês, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Conforme a PF, as conversas também mencionavam Gonet e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Em 28 de março de 2025, um ano depois do encontro em Londres, Ciro Soares encaminhou a Vorcaro mensagens que atribuiu ao procurador-geral. Em uma delas, afirmou que Gonet “lhe adora” e que “vai para Londres com eles”, em referência a um novo evento na cidade. Outra mensagem atribuída a Gonet mencionava a expectativa de haver charuto e Macallan, marca de uísque escocês. Vorcaro respondeu relacionando a ocasião a uma plantação de charuto e barris da bebida. O evento previsto para 2025 foi cancelado.
Pedido de nulidade
Após a retirada do sigilo, Paulo Gonet pediu a nulidade do relatório. Ele sustentou que André Mendonça não poderia ter determinado uma investigação envolvendo um colega sem anuência prévia da Procuradoria-Geral da República. Também afirmou que o presidente do Supremo, Edson Fachin, deveria ter sido informado sobre o conteúdo das conversas.
Em nota, a PGR confirmou a autenticidade da foto e informou que Gonet já havia reconhecido publicamente sua participação no evento em Londres com outras autoridades. A instituição também declarou que Mendonça, então relator do caso, considerou sem gravidade a menção ao procurador-geral nas mensagens.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal deve analisar o conteúdo em sessão marcada para a próxima sexta-feira (25). O órgão decidirá se existem indícios de crime comum que justifiquem a abertura de investigação contra Gonet.


