A Polícia Federal afirmou nesta segunda-feira (14) que mantém sob sua guarda o conteúdo original extraído do celular apreendido de Daniel Vorcaro. O material permanece com lacres íntegros, cadeia de custódia documentada e mecanismos destinados a verificar sua integridade digital.
A instituição também encaminhou cópias dos dados aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a PF declarou que as versões entregues "são idênticas à extração realizada do aparelho".
A transferência ocorre antes do julgamento previsto para terça-feira (15) no plenário do STF. O tribunal analisará um relatório da PF que identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.
Divergência sobre o acesso
A disponibilização dos arquivos acontece em meio a uma disputa entre ministros do STF sobre o acesso integral ao acervo digital. Nos últimos dias, Zanin, Moraes e Mendes procuraram o presidente da Corte, Edson Fachin, para pedir acesso à totalidade do espelhamento do aparelho, um iPhone 17 Pro apreendido em operações policiais.
Zanin sustentou que o colegiado precisa examinar o contexto completo antes de deliberar e ressaltou que a defesa de Vorcaro já havia consultado todo o conteúdo. Moraes apoiou o pedido e afirmou que "não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento".
Mendes disse que a concentração dos dados no gabinete de André Mendonça afeta o equilíbrio interno e a paridade da Corte. O ministro solicitou a Fachin que, se Mendonça não liberasse os arquivos, a Presidência requisitasse as mídias diretamente à PF com urgência.
Mendonça havia respondido às primeiras cobranças que o material sob seu poder era uma cópia de segurança criptografada e lacrada, destinada a servir como contraprova em caso de extravio do original. Ele também declarou que não havia manuseado a mídia.


