BELO HORIZONTE — A Polícia Federal terá de buscar outra estrutura para a Base Lacor/MG, grupo criado para investigar corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou a proposta de instalar a unidade em uma mansão atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e determinou a venda do imóvel.
A casa fica no bairro Belvedere e havia sido negociada por R$ 30 milhões em contrato particular. Nos registros da Prefeitura de Belo Horizonte, o valor venal era de R$ 12,5 milhões. A Polícia Federal havia pedido o bloqueio de duas propriedades na mesma rua, que, conforme a investigação, pertencem de fato a Vorcaro, embora estejam formalmente vinculadas a terceiros.
Estrutura para a unidade
A proposta de uso da mansão foi apresentada em março. Durante o cumprimento de uma ordem de busca e apreensão, os policiais verificaram que ninguém morava no local e que a residência era usada para descanso. A corporação pediu autorização para ocupar a casa com os móveis existentes.
A Base Lacor/MG foi criada em novembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, o grupo não tinha espaço adequado para funcionar. A antiga sede da corporação em Minas Gerais, construída na década de 1980, foi demolida para a construção de outro prédio, cuja conclusão estava prevista para 2028. Enquanto isso, a superintendência estadual operava provisoriamente em dois imóveis alugados.
A PF também argumentou que a equipe precisava de um endereço reservado para atividades de inteligência. No pedido, afirmou que o grupo “não possui espaço físico adequado para atuar”. A corporação queria ainda receber o mobiliário da residência.
Decisão e contestação
André Mendonça negou a solicitação em 8 de julho. Para o ministro, a propriedade era uma casa luxuosa, com móveis de alto padrão, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras de jogos. A adaptação para uso policial exigiria instalações de rede de dados, estações de trabalho, controle de acesso, arquivos e salas de reunião.
O ministro determinou o leilão, e o dinheiro obtido deverá permanecer depositado judicialmente. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos informou ao Supremo que adotará as providências necessárias para realizar a venda pública.
Em agosto, a defesa de Daniel Vorcaro pediu a reconsideração da decisão. Os advogados aceitaram a manutenção do bloqueio dos bens, mas solicitaram a suspensão dos procedimentos de venda. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra o pedido e defendeu a manutenção da decisão de Mendonça.
O caso também ocorre em meio a divergências entre André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal, incluindo o diretor-geral Andrei Rodrigues. Interlocutores de Rodrigues relatam insatisfação com o que consideram interferências do ministro na condução de diligências e nos rumos da investigação.



