RIO DE JANEIRO — A investigação da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) aponta que um grupo criminoso mantinha funções distribuídas para recrutar menores, promover abusos sexuais e produzir conteúdo sexual. Quatro pessoas foram indiciadas neste ano, e uma delas continua sendo procurada pela polícia.
O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins é apontado como chefe do esquema. Ele está preso desde março, é réu em processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio, e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Prisões e acusações
Neste sábado (10), Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul. Mariana de Oliveira Minas foi localizada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ariane Minas, filha de Mariana, é considerada foragida.
Os três foram alvo de pedidos de prisão temporária expedidos pela Veca. Segundo a delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, os investigados respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa. Luiz Alberto também responde por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil. Cordovil responde ainda por produção, armazenamento e compartilhamento desse tipo de material.
A polícia atribui a Cordovil a exploração sexual, a produção de conteúdo e os pagamentos a vítimas e responsáveis. Ariane e Mariana seriam responsáveis pelo recrutamento e pela entrega das vítimas. Luiz Alberto é apontado como responsável pelo aliciamento direto e pela participação nos abusos.
Conversas e recrutamento
Mensagens obtidas após a quebra do sigilo de Cordovil registram pedidos para localizar meninas menores de idade. Em 30 de novembro de 2022, ele escreveu: “Arruma a novinha, mais ou menos zero quilômetro, e a gente vai sair”.
A empregada doméstica de Cordovil, presa neste sábado, teria enviado fotos de meninas ao professor. Na mesma data, ela afirmou: “Eu já te mandei a foto das duas: uma de 15 e outra de 14”.
De acordo com a Dcav, Cordovil comandava um projeto social na faculdade Cândido Mendes. A investigação sustenta que ele se aproximava de vítimas em situação de vulnerabilidade oferecendo dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. As meninas eram levadas de uber ou no veículo dele para a casa no Grajaú, na Zona Norte do Rio.
Luiz Alberto, funcionário público, teria recebido pagamentos via pix para levar crianças entre 10 e 16 anos à própria casa. A investigação também atribui a ele a organização de festas usadas para exploração sexual de crianças e adolescentes.
Arquivos e suspeita de mais vítimas
A polícia encontrou mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular de Cordovil. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a quantidade levantou a suspeita de que o número de vítimas seja maior do que o identificado até agora.
As investigações apontam que parte do material foi compartilhada. O Ministério Público pediu que a Justiça fixe indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada.
Ariane e Mariana são investigadas por recrutar adolescentes para encontros na casa de Cordovil em troca de contrapartidas financeiras. Uma das negociações teria envolvido o pagamento da festa de aniversário do filho de Ariane. A Dcav também apura a suspeita de que mães exploravam as próprias filhas, submetendo-as à prostituição ou negociando vantagens.


