Leitores divergiram sobre o modelo de segurança associado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Os comentários abordaram o encarceramento em massa, os efeitos sobre os direitos civis e a possibilidade de aplicar medidas semelhantes no Brasil.
Carlos José Borges Júnior, de São Paulo, afirmou que Bukele colocou os criminosos na defensiva e a população no centro da segurança. Ele questionou por que outros governos não conseguem obter resultado semelhante.
Críticas ao estado de exceção
Parte dos leitores classificou o modelo como incompatível com a democracia e o estado de direito. Vilarino Escobar da Costa, de Viamão, disse que qualquer governo que atue sem observar esses princípios representa uma ditadura. Para ele, o uso sem limite da força estatal provoca a deterioração das instituições e a destruição da democracia.
Audranilson Santos Trevas, de Maceió, afirmou que o superencarceramento retira direitos civis e políticos e pode transformar o regime em autocrático e ditatorial. Ele também disse que El Salvador não deixou de enfrentar a desigualdade social e a pobreza.
Maria Isabel Vieira Seijo de Figueiredo, de São Paulo, classificou a situação da prisão Cecot como uma violação institucional da dignidade humana e dos direitos do cidadão. Ricardo Motta de Albuquerque, do Rio de Janeiro, chamou o modelo de inconstitucional e arbitrário e afirmou que sua aplicação no Brasil teria alto custo.
Paula Rocha, de Curitiba, disse que o encarceramento em massa cria uma falsa narrativa de solução para a segurança pública. Josete Lima dos Santos, de Taboão da Serra, afirmou que a medida atingiria principalmente pobres e negros e não resolveria as causas da violência.
Defesa de adaptação ao Brasil
Outros leitores defenderam a adoção do modelo, com ajustes. Victor Hugo Rocha Silva, de Diadema, afirmou que a mudança exigiria tempo e que, aplicada no Brasil, seria um sonho. Luís Tadeu Romano, de Araraquara, também defendeu a implantação e criticou organizações de direitos humanos que discordam da proposta.
Eduardo Paco, de São Paulo, disse que Bukele resolveu um problema em que países latino-americanos falharam, mas que deve ser criticado pelos erros e ouvido pelas medidas adotadas. Já Adelino De Santi Júnior, de Auckland, afirmou que o presidente enfrentou a violência em El Salvador, mas questionou a substituição da educação pelo encarceramento.
Ricardo Pedrosa Pinelli, de Brasília, considerou que a dimensão territorial do Brasil poderia levar a um estado de exceção. Pedro Luís Machado Sanches, de Pelotas, afirmou que o aumento da população carcerária produz apenas uma falsa sensação de segurança, enquanto desigualdade e criminalidade permanecem.


