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Lund testa microrredes para reorganizar o fornecimento de energia

Projeto da ViaEuropa usa painéis solares, baterias e compartilhamento local para modernizar redes elétricas e reduzir pontos de falha.

Lund testa microrredes para reorganizar o fornecimento de energia
Foto: Sameer Al-Doumy/AFP

LUND (SUÉCIA) — Um edifício com apartamentos, escritórios, espaços comerciais e uma garagem já opera como demonstração de um modelo descentralizado de energia. Desde abril de 2025, painéis solares instalados no telhado geram parte da eletricidade do prédio, que é armazenada em baterias e compartilhada entre empresas e locatários.

A iniciativa é conduzida pela ViaEuropa, empresa do empreendedor sueco de tecnologia Jonas Birgersson. O projeto prevê redes menores capazes de produzir, armazenar e distribuir eletricidade localmente. A empresa também iniciou a modernização de um conjunto habitacional público da década de 1960, com dez edifícios e 278 apartamentos.

Uma arquitetura inspirada na internet

Birgersson defende que centenas, milhares ou até milhões de microrredes inteligentes sejam conectadas por sistemas digitais. Roteadores administrariam a transferência de energia entre elas, em uma lógica semelhante à circulação de dados na internet. Para o empreendedor, as famílias poderiam comprar eletricidade por uma tarifa fixa e baixa, como fazem ao contratar banda larga.

“Estamos usando a arquitetura supergenial da internet, mas aplicando-a a um campo diferente”, afirmou Birgersson na sede da ViaEuropa, instalada no edifício que abrigou a primeira usina elétrica de Lund.

Ele ajudou a transformar o setor de telecomunicações no fim da década de 1990 e foi cofundador de uma das primeiras empresas de internet residencial de banda larga por fibra óptica. Antes de completar 30 anos, participou da criação de duas companhias avaliadas em US$ 1 bilhão. Aos 54 anos, direciona sua experiência para o setor de energia.

Pressão sobre as redes existentes

A expansão dos data centers, dos veículos elétricos, das bombas de calor e de outros equipamentos tem elevado a demanda por eletricidade. As redes construídas nos séculos 19 e 20 enfrentam limitações de capacidade e também riscos associados a ataques e falhas técnicas.

Na Dinamarca, a operadora da rede suspendeu temporariamente novas conexões neste ano por causa da capacidade limitada. Na Europa, a estimativa é de que a demanda por eletricidade aumente 60% até 2030.

Em janeiro de 2021, um problema em um interruptor de uma subestação na Croácia quase derrubou o sistema elétrico europeu. No ano passado, apagões atingiram Espanha e Portugal. Nos Estados Unidos, uma tempestade de inverno no Texas, em 2021, paralisou usinas e deixou milhões de moradores sem luz e aquecimento durante dias.

Acordo e pesquisas na Europa

A ViaEuropa assinou um acordo conjunto com uma associação que representa empresas habitacionais de toda a Suécia. Essas empresas administram 1 milhão de apartamentos. A proposta é testar redes menores como alternativa às estruturas centralizadas, que os defensores das microrredes consideram mais caras, difíceis de ampliar e vulneráveis a um único ponto de falha.

Uma equipe financiada pelo Conselho de Pesquisa em Energia da União Europeia desenvolve o projeto Safer Grid para demonstrar que redes pequenas e independentes podem funcionar de forma interligada em toda a Europa. Antonello Monti, integrante da equipe formada por pesquisadores da Universidade RWTH Aachen, na Alemanha, e da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, avaliou que essa organização impediria que um problema local se transformasse em uma falha continental.

O Plano de Ação para as Redes da União Europeia defende estruturas “mais digitalizadas, descentralizadas e flexíveis”. O braço de pesquisa da Otan também estuda como a descentralização poderia aumentar a resiliência da rede elétrica.

O experimento em Lund

O interesse de Birgersson pelo tema começou depois dos ataques russos à rede elétrica da Ucrânia, em 2022. Os apagões deixaram milhões de pessoas sem eletricidade, aquecimento e água, enquanto as temperaturas caíam abaixo de 0°C. Ao recordar o episódio, ele afirmou: “Esse foi o estopim”.

Lund, cidade natal do empreendedor, tem menos de 135 mil habitantes e é um polo de pesquisa científica. A cidade abriga a European Spallation Source, acelerador de prótons de alta energia, além de ter sido associada a invenções como o rim artificial, a ultrassonografia médica, a tecnologia Bluetooth e os leitores de impressões digitais.

Conceitos da eletrônica de potência usados para administrar a energia do acelerador também são empregados pela equipe da ViaEuropa na renovação da infraestrutura elétrica de conjuntos habitacionais antigos. O primeiro projeto já está em funcionamento, enquanto a modernização do conjunto público segue em desenvolvimento.

Kingsmill Bond, diretor da Ember, classificou a proposta como “uma ideia cujo momento chegou”. Birgersson afirmou que, se o modelo funcionar em Lund, poderá ser aplicado no restante da Europa.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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