São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
País

Presidente da Multilaser defende fim da escala 6x1 e critica juros e impostos

Alexandre Ostrowiecki afirma que a mudança terá custo econômico, mas não provocará demissões em massa nem grandes repasses aos preços.

Presidente da Multilaser defende fim da escala 6x1 e critica juros e impostos
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multilaser, defende o fim da escala 6x1 e diz que os trabalhadores devem ter dois dias de descanso por semana. Para ele, a mudança terá custo econômico, mas não deve provocar demissões em massa nem grandes aumentos nos preços dos produtos.

“É inaceitável que, no mundo da inteligência artificial e, em breve, da robótica, uma parte relevante da força de trabalho fique sem dois dias de descanso”, afirmou Ostrowiecki.

Contas públicas e custo dos produtos

O empresário considera que o custo associado à redução da jornada é menor do que os fatores que encarecem a produção no Brasil. Ele citou o chamado custo Brasil, a burocracia, os impostos elevados sobre o consumo e os juros altos.

Ostrowiecki também afirmou que a competitividade do país não deve ser buscada com a redução do descanso dos trabalhadores. Na avaliação dele, o governo deveria enfrentar os privilégios do Estado e o crescimento automático e obrigatório das despesas públicas.

Ao falar sobre o que espera do governo a partir de 2027, o presidente do conselho da Multilaser defendeu uma reforma estrutural com reforma administrativa, desvinculação de despesas e revisão de privilégios, incluindo supersalários e penduricalhos. Para ele, sem essas medidas, o arcabouço fiscal não se sustenta e os juros continuarão pressionando a economia.

Ostrowiecki ajudou a fundar, há cerca de 15 anos, o Ranking dos Políticos, site de orientação liberal que reúne perfis de congressistas. Apesar da preocupação com o equilíbrio das contas públicas, ele afirma não falar em nome do empresariado.

Recuperação judicial e consumidor endividado

Sobre o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais, o empresário disse que o risco de crédito ficou maior do que os modelos conseguiam captar. Segundo ele, o período prolongado de juros elevados não estava previsto nos parâmetros usados anteriormente.

A Multi está entre os grandes fornecedores da Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial no mês passado. Ostrowiecki lamentou a situação da varejista e classificou como moderado o impacto sobre a empresa: foram provisionados cerca de R$ 31 milhões, pouco mais de 2% da carteira de recebíveis. A maior parte das vendas, segundo ele, conta com seguro de crédito.

O empresário também afirmou estar preocupado com a situação financeira dos consumidores. Dados da CNC indicam que 82% das famílias brasileiras têm dívidas a vencer, enquanto a Serasa registrou quase 84 milhões de negativados em agosto, o maior nível da série histórica.

A resposta da empresa, de acordo com Ostrowiecki, inclui seguro de crédito nas vendas, controle de recebíveis, diversificação de canais e produtos acessíveis. Ele, porém, avalia que essas medidas não compensam por muito tempo o custo de juros elevados.

Crítica à isenção para encomendas

Ostrowiecki criticou a lei que eliminou o imposto de importação para encomendas de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas e sancionada por Lula neste mês. Ele argumenta que a regra cria uma diferença entre fabricantes brasileiros e fornecedores estrangeiros.

Como exemplo, citou uma fábrica no Ceará que paga cerca de 30% do preço em impostos federais ao longo da cadeia e uma empresa em Shenzhen, na China, que passa a vender no Brasil sem imposto federal. Também comparou os juros da indústria brasileira, de 15%, aos de cerca de 3% na China.

O empresário disse que a crítica é dirigida à política pública, não ao consumidor endividado que procura o menor preço. Na avaliação dele, a produção e parte do comércio varejista podem migrar para vendas diretas a partir da Ásia, com deslocamento de empregos para fábricas e centros de distribuição na China.

A lei prevê que o governo acompanhe, a cada seis meses, os efeitos da medida sobre emprego, indústria e arrecadação. Ostrowiecki afirmou que as empresas poderão transferir produção e estruturas de venda para marketplaces estrangeiros.

Com fábrica em Manaus, ele defendeu uma redução geral dos tributos sobre o consumo e citou a Zona Franca de Manaus como exemplo de que a indústria brasileira pode competir quando a carga tributária é razoável.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.