Cientistas sociais, historiadores e jornalistas analisam, em livros recentes, as mudanças na política brasileira, o comportamento do eleitorado e as disputas que atravessam o país. As obras tratam de temas como distribuição de renda, igrejas evangélicas, polarização ideológica, redes sociais e os efeitos de junho de 2013 e do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.
Eleições, partidos e democracia
Em O País Dividido: Duas Décadas de Eleições Presidenciais no Brasil (2002-2022), Jairo Nicolau examina as seis eleições presidenciais do período e as transformações nas bases sociais do PT e da direita. A análise também aborda abstenção, religião, valores morais e polarização.
André Singer discute, em Impasse: O Brasil Diante da Onda Reacionária, a disputa pelo legado de Bolsonaro e as contradições da frente ampla que levou Lula de volta ao Planalto. O autor também trata dos desafios para preservar e aprofundar a democracia.
Organizado por Marcos Nobre e Ana Claudia Teixeira, O Partido Digital Bolsonarista sustenta que o bolsonarismo opera como um partido formado no ambiente digital, sem filiação formal e paralelo às legendas tradicionais. A obra examina redes de lealdade, coordenação de campanhas e a relação com o PL.
De Bolsonaro a Lula 3: Pesquisa, Eleição, Democracia e Governabilidade, de Antonio Lavareda, reúne artigos e entrevistas sobre a eleição de 2022 e os primeiros meses do terceiro governo Lula. O livro aborda pesquisas de opinião, estratégias de campanha, comportamento eleitoral e governabilidade.
Em Debates Eleitorais: Prepare-se ou Morra!, Rodrigo Mendes e Leonardo Lamounier reúnem especialistas para discutir preparação, estratégia e efeitos dos debates políticos, incluindo as plataformas digitais.
Sociedade, instituições e participação
Pela Mão do Povo: Voto e Democracia no Brasil, organizado por Cármen Lúcia Antunes Rocha, Heloisa M. Starling e Nayara Corrêa Henriques Pinto, acompanha a construção do direito ao voto, as reformas eleitorais, os períodos de autoritarismo e a redemocratização. A coletânea aborda a exclusão histórica de analfabetos, mulheres, negros e indígenas da cidadania plena.
Felipe Nunes apresenta, em Brasil no Espelho: Um Guia para Entender o Brasil e os Brasileiros, um retrato das crenças, dos valores e das contradições dos brasileiros, com base em pesquisa sobre o que pensam, temem e desejam.
Joaquim Falcão analisa, em A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia, a atuação de integrantes dos três Poderes e defende a reforma e a reinterpretação das instituições.
Novas Direitas: Juventude Além dos Extremos, de Beatriz Besen, compara as novas direitas no Brasil e na Alemanha a partir de narrativas e trajetórias pessoais de jovens.
Renato Meirelles examina, em Brasil da Maioria: 25 Anos de Classe C, a ascensão da classe C nos anos 2000, sua mudança de expectativas e sua influência no consumo e nas eleições.
Direitas, memória política e religião
Em A Direita à Direita da Direita: A Política Dividida em Três e os Riscos para a Democracia, João Gabriel de Lima propõe uma classificação de movimentos antidemocráticos de direita e compara discursos políticos na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul.
A Verdade Vos Libertará: 2013-2023, organizado por Daniel Lameira, reúne fotografias de Gabriela Biló sobre a política brasileira, acompanhadas de notícias, memes e áudios selecionados pelo podcast Medo e Delírio em Brasília.
As biografias Lacerda: Coração de Tempestade, Vol. 1 (1914-1955), de Mário Magalhães, e Brizola — Lobisomem contra o Império, de Karla Monteiro, reconstituem trajetórias de Carlos Lacerda e Brizola. A primeira aborda a juventude, o comunismo, o jornalismo e a entrada na política; a segunda acompanha Brizola da infância no Rio Grande do Sul ao retorno do exílio, em 1979.
Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo, de Lucas Berlanza e Antônio Claret Jr., apresenta uma leitura liberal do governo de Juscelino Kubitschek e questiona a visão heroica do período.
Juliano Spyer trata da relação entre fé, política e transformações sociais em O Brasil dos Evangélicos, além de discutir o papel das igrejas como redes de apoio e espaços de pertencimento.
Por fim, Inteligência Artificial nas Eleições de 2026, organizado por Ronaldo Sagres, reúne especialistas para discutir os impactos jurídicos, regulatórios e institucionais da inteligência artificial no processo eleitoral brasileiro.


