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Internacional

Idea vê influência de Trump no negacionismo eleitoral e alerta sobre erosão democrática

Secretário-geral do instituto afirma que ataques às eleições nos EUA foram reproduzidos no Brasil e avalia riscos de um eventual governo Flávio Bolsonaro.

Idea vê influência de Trump no negacionismo eleitoral e alerta sobre erosão democrática
Foto: AFP

O secretário-geral do Instituto Internacional pela Democracia e Auxílio Eleitoral (Idea), Kevin Casas-Zamora, afirma que o negacionismo eleitoral se espalhou entre democracias e identifica Donald Trump como o principal ponto de partida desse movimento. Para ele, os acontecimentos nos Estados Unidos influenciaram atores políticos de outros países, inclusive no Brasil.

Casas-Zamora relaciona a invasão do Capitólio, em Washington, em 6 de janeiro de 2021, ao ataque ocorrido em Brasília dois anos depois. Segundo o relatório do Idea sobre o estado da democracia no mundo, os dois episódios têm relação porque grupos apoiadores de Trump tentaram reverter o resultado da eleição vencida por Joe Biden, criando um precedente seguido por movimentos autoritários em outros lugares.

Interferência nas eleições

O secretário-geral diz não saber se há uma interferência direta do governo Trump nas eleições brasileiras, mas afirma que a atuação americana na América Latina se tornou mais explícita. Ele cita manifestações de apoio a Flávio Bolsonaro e menciona também a promessa de suporte econômico ao governo e à Argentina caso Javier Milei obtivesse um bom resultado eleitoral.

Na avaliação de Casas-Zamora, a interferência estrangeira pode distorcer um processo eleitoral, assim como o acesso desigual a recursos financeiros. Ainda assim, ele afirma que, sem evidência contundente de alteração do comportamento dos eleitores, é necessário presumir que o processo brasileiro seja aberto e transparente o suficiente para garantir uma eleição justa, independentemente do resultado.

O relatório registra que o Brasil avançou 12 posições na categoria direitos, de 2025 para 2026. Casas-Zamora atribui a melhora principalmente a um efeito rebote após a queda de indicadores durante o governo anterior, período em que, segundo ele, houve ataques à liberdade de imprensa, à independência judicial e à credibilidade do processo eleitoral.

Risco de retrocesso

O Idea também apontou avanços brasileiros no Estado de Direito. Casas-Zamora reconhece que existem problemas no Judiciário que merecem atenção, mas afirma que o Supremo Tribunal Federal teve papel fundamental na proteção da democracia e na preservação da integridade eleitoral quando Jair Bolsonaro atacou as eleições.

Sobre um eventual governo Flávio Bolsonaro, o secretário-geral diz não fazer previsões. Para ele, a vitória eleitoral de partidos de extrema direita é legítima e não constitui, por si só, um ataque à democracia. O risco, em sua avaliação, aparece quando essas siglas chegam ao poder e passam a atacar os controles institucionais sobre o exercício da autoridade. Caso Flávio Bolsonaro se comporte como o pai, afirma, haverá razões para temer um retrocesso democrático.

Instituições americanas

Casas-Zamora atribui parte do enfraquecimento das instituições dos Estados Unidos ao comportamento de Trump, que, segundo ele, não respeita as regras do jogo democrático. O secretário-geral ressalta, porém, que a independência judicial americana se fortaleceu.

Na avaliação dele, juízes de primeira instância, mais do que a Suprema Corte, impuseram limites às tentativas do presidente de contornar as instituições, tanto no primeiro quanto no atual mandato. Para Casas-Zamora, o caso americano demonstra a importância da independência judicial para a democracia.

Kevin Casas-Zamora nasceu em 1968, em San José, na Costa Rica. Foi vice-presidente da Costa Rica em 2006 e tornou-se secretário-geral do Idea em 2019.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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