A observação de aves levou o biólogo colombiano Diego Calderón-Franco a reencontrar pessoas ligadas ao sequestro que sofreu durante uma expedição científica. Desde 2016, ele participou de cerca de dez expedições ou capacitações com ex-guerrilheiros e transformou a experiência em uma palestra sobre o conflito na Colômbia.
Calderón-Franco foi capturado em 2004, quando estudava biologia na Universidade de Antioquia e pesquisava a Serranía del Perijá. Ele permaneceu 88 dias sob custódia de combatentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O grupo pediu resgate depois de verificar, ao longo de duas semanas, que os integrantes da expedição eram realmente vinculados a universidades.
Do sequestro à pesquisa de aves
O biólogo havia viajado com um botânico e um guia local. A região estava quase sem exploração desde os anos 1970, em parte por causa do conflito, e ainda apresentava biodiversidade desconhecida. No local, integrantes da Frente 41 das Farc disseram que os três não poderiam deixar a área.
Depois de dois meses, o botânico e o guia foram libertados. Calderón-Franco permaneceu no cativeiro até receber, de uma guerrilheira, a notícia de que sairia no dia seguinte. Durante o período, os estudantes observavam formigas e um besouro gigante para lidar com a situação.
Ele concluiu o curso de biologia em 2007 e passou a trabalhar com turismo e observação de aves. Em 2016, com o avanço do Acordo de Paz entre o governo e as Farc, decidiu participar de iniciativas relacionadas às áreas que haviam ficado inacessíveis durante o conflito.
Expedições com antigos combatentes
Uma dessas ações reuniu 60 pessoas em Antioquia, ao norte de Medellín. Participaram guerrilheiros, estudantes, vítimas, algozes, observadores internacionais das Nações Unidas, professores e representantes de juntas de ação comunal. Todos pesquisaram plantas e pássaros.
Em uma das expedições, Calderón-Franco reencontrou Omar, que havia participado de seu sequestro e hoje dirige uma oficina de confecções. Omar não o reconheceu de imediato e não pediu desculpas. Em vez disso, contou que uma mulher sequestrada havia ensinado dez guerrilheiros a ler, escrever, somar e subtrair.
Para o biólogo, as atividades permitem apresentar outro ângulo da guerra e criar contato entre pessoas que estiveram em lados diferentes do conflito. Ele afirma que as aves funcionam como um ponto de conexão entre os participantes.


