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Uma década depois, acordo colombiano tem avanços sociais e implementação incompleta

Pacto com as Farc reduziu a pobreza em áreas afetadas, mas grupos armados cresceram e apenas parte das cláusulas foi cumprida.

Uma década depois, acordo colombiano tem avanços sociais e implementação incompleta
Foto: AFP

O acordo de paz entre o Estado colombiano e as Farc completa dez anos com resultados distintos. Mais de 13 mil pessoas deixaram as armas, e cerca de 85% delas seguem em processos de reincorporação à vida civil. Ao mesmo tempo, a presença de grupos armados aumentou, assim como os deslocamentos forçados e as mortes em massacres.

O pacto foi assinado inicialmente em Cartagena, em 26 de setembro de 2016, pelo então presidente Juan Manuel Santos e pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko. O documento encerrou uma guerra de 52 anos e rendeu a Santos o Nobel da Paz daquele ano. Após ser rejeitado em plebiscito por 50,2% a 49,8% dos eleitores, o texto em vigor foi firmado em novembro, no Teatro Colón, em Bogotá.

Violência e execução lenta

Dados da Força Pública da Colômbia mostram que o número de integrantes das três principais organizações armadas passou de 6.519, em 2017, para 24.610 combatentes distribuídos em quatro grupos, em 2025. O total é quase quatro vezes maior em oito anos.

Os deslocamentos forçados também avançaram. A Unidade para as Vítimas informou que mais de 290 mil pessoas foram atingidas no ano passado, quase o dobro do registrado em 2016. No mesmo intervalo, o número de mortos em massacres subiu de 137 para 256, segundo o Indepaz.

O instituto Kroc, da Universidade Notre Dame, calcula que apenas 36% das 578 cláusulas do acordo haviam sido totalmente implementadas em 2025. Outras 8% ainda não tinham sido iniciadas. O prazo para a execução dos compromissos termina em 2031, 15 anos depois da assinatura. Em maio, o instituto afirmou que o período para cumprir as promessas está se encerrando e que vítimas do conflito continuam aguardando resultados concretos.

A proteção de ex-combatentes permanece entre os pontos pendentes. Relatório da Missão de Verificação das Nações Unidas na Colômbia, divulgado em julho, registra 493 ex-combatentes mortos desde a assinatura do acordo.

Resultados nos territórios

Paola Molano Ayala, mestre em direito internacional pela Universidade de Nova York, aponta os Programas de Desenvolvimento com Enfoque Territorial como uma das principais realizações do pacto. Entre 2018 e 2024, a iniciativa reduziu, em média, mais de 15 pontos percentuais o índice de pobreza multidimensional nos 170 municípios mais afetados pelo conflito, conforme a Agência de Renovação do Território.

Para a advogada, a elaboração dos programas contou com participação ampla das comunidades, que indicaram necessidades e formularam planos para orientar a atuação do Estado. Ela também afirma que a ausência de instituições em áreas antes controladas pelas Farc permitiu o retorno da violência.

Disputa política

A rejeição inicial do acordo marcou sua trajetória. Para Andrei Gómez Suárez, especialista em resolução de conflitos armados, o plebiscito foi um dos maiores erros de Santos. Na avaliação dele, o processo começou sem legitimidade suficiente.

A oposição continuou durante o governo de Iván Duque. Em 2017, Fernando Londoño, do Centro Democrático, defendeu a revogação do acordo. Duque, então candidato, afirmou que pretendia promover modificações em pontos que considerava incompatíveis com o Estado de Direito, sem destruir o texto.

Gustavo Petro, eleito em 2022 como o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, apoiava o pacto, mas concentrou sua gestão na proposta de paz total. A tentativa de negociar com grupos armados remanescentes, segundo Suárez, acabou deixando o acordo de 2016 em segundo plano e alimentando a desconfiança sobre a continuidade dos compromissos entre governos.

O atual presidente, Abelardo de la Espriella, pretende reservar 12,94 trilhões de pesos colombianos (R$ 20,5 bilhões) para a implementação do acordo no orçamento do ano que vem. O valor é 37% inferior aos 20,56 trilhões de pesos (R$ 32,5 bilhões) previstos para 2026.

Apesar das dificuldades, Suárez avalia que ainda não é possível considerar fracassada a paz com as Farc. Ele observa que 50% dos processos de paz fracassam cinco anos após a assinatura e que o caso colombiano continua aberto, dez anos depois.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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