A saída da Colômbia da Coalizão pela Igualdade de Direitos ocorre em meio à apresentação de propostas conservadoras no Congresso do país. A chamada Bancada Pró-vida, que reúne mais de 50 políticos dos 286 integrantes do Legislativo, apresentou projetos para proteger a vida desde a concepção e proibir tratamentos médicos de afirmação de gênero em crianças e adolescentes.
O primeiro texto tornaria ilegal o aborto, atualmente permitido na Colômbia até a 24ª semana de gestação. A movimentação ocorre sob o governo de Abelardo de la Espriella, eleito em junho deste ano.
A decisão de deixar a coalizão foi anunciada nesta quinta-feira (17) pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Pedro Agustín Roa. A organização reúne mais de 40 países, tinha Bogotá na Presidência ao lado da Espanha e contava com a participação da Colômbia desde dezembro de 2024.
Em comunicado, Roa disse que a retirada não representava retrocesso na proteção da população LGBTI. Ele afirmou que o país possui direitos protegidos pela Constituição, políticas públicas, regulamentos e decisões do Tribunal Constitucional. Segundo o vice-ministro, a participação na entidade deixou de ser considerada prioritária e a saída resultou de um exercício de priorização.
Roa também agradeceu à Espanha e às organizações da sociedade civil com as quais Bogotá dividiria a Presidência até 2027. A Caribe Afirmativo, que ocupava a Presidência como organização colombiana da sociedade civil, manifestou preocupação. Para o grupo, a decisão cria obstáculos à defesa dos direitos LGBTIQ+ e ao cumprimento de compromissos internacionais.
Mudanças na agenda do governo
A saída também ocorre após declarações de Espriella durante a campanha. Em maio deste ano, ele defendeu uma contrarrevolução cultural e criticou a presença da chamada ideologia de gênero em escolas. Em abril deste ano, afirmou que não teria aprovado a adoção por casais homoafetivos, embora respeitasse o direito caso fosse eleito.
A coalizão também reúne a Argentina de Javier Milei. O Brasil entrou na organização em 2023. Os Estados Unidos, que em nota do Departamento de Estado de 2016 se apresentaram como membro fundador do grupo, deixaram a entidade em 2025, durante o segundo mandato de Donald Trump.
O deputado Luis Miguel López comemorou a saída da Colômbia. Para ele, o país pode defender os direitos de todas as pessoas sem submeter sua política externa a agendas ideológicas. A Caribe Afirmativo contestou essa avaliação e relacionou a decisão a retrocessos nos direitos LGBTIQ+ no mundo.


