SÃO PAULO — O álbum original de Jazz, de Henri Matisse, já havia sido furtado antes de as gravuras que integram a edição da Biblioteca Mário de Andrade serem levadas novamente. O exemplar foi localizado em 2006, na Argentina, e retornou a São Paulo em 2015, depois que uma perícia identificou que a biblioteca mantinha uma versão falsa da obra.
A exposição “Jazz – o livro de artista de Henri Matisse” foi reaberta na tarde deste sábado (12). A mostra apresenta as 20 composições do álbum publicado em 1947 e ficará em cartaz até 12 de outubro, com entrada gratuita.
Das obras exibidas, oito gravuras haviam sido furtadas do acervo da biblioteca em dezembro do ano passado. A Polícia Civil as encontrou em agosto, em um apartamento em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. De acordo com a corporação, as peças estavam íntegras e agora voltaram à visitação.
Segurança da exposição
A sala recebeu seis câmeras conectadas ao SmartSampa. As imagens têm reconhecimento facial e podem ser usadas para identificar possíveis ladrões. Agentes da Guarda Civil Metropolitana ficarão disponíveis para a segurança durante 24 horas, até o encerramento da exposição.
A diretora da biblioteca, Luiza Thesin, afirmou que os procedimentos de proteção foram revistos depois do furto. “Todos os funcionários da segurança patrimonial passaram por um novo treinamento”, disse. Segundo ela, dois agentes farão rondas periódicas na unidade.
O roubo ocorreu em 7 de dezembro. Dois homens armados invadiram a biblioteca, renderam uma funcionária e levaram as gravuras de Matisse e cinco obras de Candido Portinari. As peças de Portinari ainda não foram recuperadas.
Um comerciante foi preso em flagrante sob suspeita de receptação. A polícia aponta Laéssio Rodrigues de Oliveira, 53, como mandante. Ele é conhecido por furtos de obras de arte e livros raros e já foi preso 11 vezes por planejar e realizar crimes desse tipo.
A série Jazz reúne 20 imagens feitas a partir de recortes de papéis pintados com guache. A edição teve tiragem de 250 exemplares numerados. Matisse desenvolveu a técnica durante um período de limitações físicas após uma cirurgia e definiu o método como “desenhar com a tesoura”.


