A estreia de uma categoria do Pisa voltada à resolução de problemas com ferramentas digitais, como programação, terminou com o Brasil abaixo da média da OCDE. Os estudantes brasileiros obtiveram 406 pontos, enquanto a média da organização foi de 500 pontos.
Aplicado em 91 países a cada três anos, o Pisa avalia alunos de 15 anos e mede a capacidade de utilizar conhecimentos escolares para resolver situações do cotidiano e gerar inovação. Em 2025, a pontuação brasileira em matemática repetiu o resultado de 2015. Em leitura, houve avanço de um ponto no período, enquanto ciências apresentou o maior crescimento.
O desempenho do país ficou inferior à média da OCDE nas três áreas tradicionais. No ranking entre países e regiões, o Brasil ocupou a posição 71 em matemática, 52 em leitura e 67 em ciências. Em matemática, apenas 28% dos estudantes atingiram o nível mínimo esperado, que inclui tarefas como comparar a distância total de duas rotas e converter preços para outra moeda.
O Ministério da Educação afirmou que o Brasil esteve entre os países que mais avançaram no desempenho dos estudantes nos últimos 20 anos. A mesma edição registrou queda nos países mais ricos do mundo, que tiveram seu pior resultado da história, principalmente em leitura e matemática.
Para Gabriel Correia, diretor de Políticas Públicas do Todos pela Educação, a ausência de avanço na década indica a necessidade de mudanças no ensino. “Agora é a hora da aprendizagem”, afirmou.
Uma escola pública em Brasília criou clubes de leitura e matemática para reforçar os conteúdos fora da sala de aula. A professora de Língua Portuguesa Brenda Lopes da Silva relacionou o hábito de ler ao desenvolvimento do vocabulário e da capacidade de abstração. A estudante Júlia Souza disse que a leitura contribui para a paciência e a atenção, além de ajudar a aliviar a ansiedade.


