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Pontes e propaganda expõem modelos opostos de China e Estados Unidos

Obras de grande escala são usadas para projetar prosperidade na China, enquanto os EUA enfrentam pontes antigas e cidades industriais em declínio.

Pontes e propaganda expõem modelos opostos de China e Estados Unidos

A China usa grandes obras de engenharia para apresentar uma imagem de modernização, integração territorial e prosperidade. Nos Estados Unidos, pontes antigas, fábricas fechadas e cidades do interior evidenciam dificuldades de infraestrutura e de recuperação econômica. A comparação aparece na ponte do Cânion Huajiang, em Guizhou, e nas estruturas que precisam de reparos em território americano.

A ponte chinesa fica 625 metros acima do cânion e inclui elevador panorâmico, trecho com piso de vidro e uma passagem de madeira situada no equivalente ao topo de um prédio de 175 andares. Ao lado, foram instalados hotel, restaurante, mirante e torres de 5G. A conexão é apresentada como parte da transformação de um vilarejo montanhoso em destino turístico e integrado ao mundo digital.

Um administrador de pousada afirma que sua renda aumentou depois que passou a trabalhar no local. A nova infraestrutura também permite transmissões ao vivo e a divulgação, pela internet, de produtos agrícolas vendidos para outras regiões da China.

Uma narrativa organizada pelo governo

Guizhou, no sul da China, é uma província montanhosa onde diferentes etnias vivem há muito tempo. A cidade de Tianlong Tunpu foi fundada há 600 anos como uma estrutura de pedra destinada a evitar invasões. Hoje, apresentações culturais e tradições locais são exibidas a visitantes e transmitidas em qualidade HD.

A visita à região foi organizada pela empresa responsável pela instalação do 5G, pela operadora de telefonia e pelo governo local. As partes passaram um ano definindo o que seria mostrado. Influenciadores participaram da excursão, com roteiro preparado e entrevistas conduzidas com a ajuda de um tradutor autorizado.

Desde novembro de 2025, a China passou a controlar a presença desses formadores de opinião em suas plataformas. Maria Repnikova, professora da Georgia State University, afirma que o objetivo é atingir tanto visitantes estrangeiros quanto o público chinês. “É uma parte muito importante da propaganda doméstica: inspirar orgulho e confiança em relação ao rumo que a China está tomando”, diz.

A vila apresentada aos visitantes, no entanto, perdeu parte de seus moradores. Muitos deixaram a região em busca de emprego, e o projeto pretende estimular o retorno da população. O esvaziamento rural está ligado ao deslocamento de trabalhadores para áreas industriais.

Êxodo rural e mão de obra

A expansão industrial chinesa levou pelo menos 600 mil pessoas por ano para trabalhar principalmente no setor têxtil. No início, a remuneração média era de 25 dólares por mês, além de alojamento e refeitório. O dinheiro era enviado para as famílias que permaneciam nas áreas de origem.

Esse movimento deixou quase 90 milhões de crianças sob os cuidados dos avós. O sistema conhecido como hukou registrava o trabalhador em seu local de nascimento e dificultava o acesso dos filhos a escolas e serviços públicos nas cidades onde os pais trabalhavam.

Kam Wing Chan, professor da Universidade de Washington, estima que a China tenha cerca de 180 milhões de trabalhadores migrantes rurais. Para ele, as restrições de acesso a benefícios urbanos ajudaram a formar uma grande oferta de mão de obra barata, importante para o modelo econômico chinês ao longo das últimas quatro ou cinco décadas.

O sistema foi flexibilizado nos últimos anos, mas os filhos de migrantes ainda enfrentam limitações para fazer o vestibular fora do local de nascimento. Medidas de acompanhamento por órgãos públicos e monitoramento por celular passaram a ser usadas com crianças que vivem sem os pais.

Infraestrutura americana sob pressão

Nos Estados Unidos, 68 pontes em 19 estados precisam de manutenção imediata ou correm risco de cair, conforme dados do próprio governo americano. A deterioração é associada ao alto custo das obras e à quantidade de empresas e etapas envolvidas nos contratos.

Anil K. Agrawal, professor do City College of New York, afirma que a multiplicação de intermediários pode elevar o preço final para o dobro ou o triplo do valor inicial. Uma grande obra no estado de Nova York levou cinco anos para ser concluída e custou US$ 4 bilhões. A ponte mais alta do mundo exigiu três anos de planejamento e 73 dias de montagem, com custo treze vezes menor.

Guizhou, apesar de ser apontada como a província mais pobre da China, concentra 50 das 100 pontes mais altas do mundo. Ao mesmo tempo, enfrenta endividamento, atraso no pagamento de servidores e cortes na saúde e na educação.

A comparação também alcança o antigo Cinturão da Ferrugem, onde o fechamento de fábricas reduziu empregos e população. Donald Trump promete recuperar a produção industrial e os moradores dessas cidades. A Casa Branca afirma que os Estados Unidos vivem a maior reindustrialização da história, enquanto levantamentos independentes indicam que fábricas continuam demitindo.

Para Maria Repnikova, a falta de consenso e a desorganização política americana fazem a China parecer mais estruturada. A diferença, segundo ela, é que nos Estados Unidos existe espaço para a imprensa e para críticas públicas. Na China, a visita guiada delimita o que pode ser visto, fotografado e divulgado.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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