A fotografia de aves ajudou a ampliar o conhecimento sobre espécies no Acre e abriu uma nova frente de trabalho para Izaias Gomes da Silva, de Mâncio Lima. Ele fez os primeiros registros, na plataforma WikiAves, da choca-preta (Neoctantes niger) e do socoí-vermelho (Ixobrychus exilis) no estado. No segundo caso, as imagens contribuíram para confirmar a presença da espécie no território acreano.
Aos 23 anos, o jovem também conduz visitantes interessados em observar a fauna na área urbana de Mâncio Lima e na Serra do Divisor. Atualmente, estima ter tido contato com mais de 350 espécies encontradas na região onde atua.
Da descoberta ao trabalho
Izaias nasceu em Cruzeiro do Sul e foi criado em Mâncio Lima. Embora tenha passado parte da infância perto da Serra do Divisor, só conheceu a observação de aves em 2024, ao participar de uma oficina de observação e interpretação ambiental em uma comunidade.
A mudança ocorreu durante uma atividade de campo, em 3 de junho daquele ano, quando acompanhou o biólogo e ornitólogo Ricardo Plácido. A partir dali, passou a prestar atenção aos sons, às cores e aos comportamentos das aves na floresta. Entre as espécies que marcaram o início dessa trajetória estão o surucuá-pavão (Pharomachrus pavoninus) e o capitão-de-bigode-limão (Eubucco richardsoni). Para ele, “a chave virou”.
Depois da oficina, Izaias continuou fazendo saídas de observação, muitas vezes sozinho, com o auxílio de um aplicativo de celular para identificar as espécies. Ricardo Plácido, que o jovem considera um estimulador de sua trajetória, também o apoiou. Em junho de 2025, Izaias recebeu kits para auxiliar nas atividades.
A primeira condução de visitantes ocorreu em setembro do ano passado. Em 2026, a procura aumentou, e ele passou a conduzir grupos regularmente na Serra do Divisor e na área urbana de Mâncio Lima. Também integrou uma expedição ao ponto extremo Oeste do Brasil e à região do Marco 76, na fronteira com o Peru, ao lado de outros dois condutores.
Observação e conservação
A atividade levou Izaias a participar de uma produção sobre a observação de aves como atrativo turístico da Serra do Divisor. Em 2025, ele esteve na Feira Internacional de Turismo (Festuris), em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde, junto com a Secretaria de Turismo do Acre, apresentou a região.
Para o jovem, observar aves pode produzir informações sobre a avifauna, espécies, movimentos migratórios e outros animais encontrados durante as atividades. Ele também defende que a prática aproxime as pessoas da preservação dos ambientes onde as espécies vivem.
A condução, porém, exige atenção aos visitantes e às trilhas. Os grupos têm interesses diferentes: alguns priorizam fotografias, outros querem registrar sons ou observar com binóculos. Por isso, Izaias adapta o ritmo e a forma de conduzir cada saída.
Além do trabalho e dos registros, ele vê a prática como uma forma de bem-estar. “Mas, além disso, é uma terapia poder observar as aves”, afirmou.
A intenção do guia é continuar apresentando a biodiversidade amazônica e incentivar uma relação de respeito com a fauna. Para quem ainda não conhece a atividade, ele recomenda observar aves livres em seus ambientes naturais, onde muitas espécies podem estar próximas sem serem percebidas.


