SÃO PAULO — O artista e ceramista Yasuichi Kojima morreu no dia 28 de setembro, após sofrer uma queda e fraturar o fêmur. Ele passou por uma cirurgia, mas contraiu uma infecção hospitalar. O enterro ocorreu no dia 30.
Kojima deixou o Japão em 1953, aos 19 anos, depois da recessão que atingiu o país no período posterior à derrota na Segunda Guerra Mundial. Chegou ao Brasil com US$ 50, sem falar português, e conseguiu trabalho em uma fábrica de cerâmica em São Caetano do Sul, no ABC paulista.
Com o dinheiro acumulado, comprou um terreno no bairro Feital, em Mauá, onde instalou sua própria fábrica de porcelana. Seis anos depois, seus pais e irmãos chegaram ao Brasil. A família terminou a construção do espaço e ergueu os fornos usados na produção por mais de seis décadas.
A fabricação de peças começou atendendo restaurantes da região e depois alcançou compradores de outras partes do país e do exterior. A técnica, aprendida com o pai no Japão, passou a ser reconhecida como expressão artística. Obras de Kojima foram incorporadas ou homenageadas pelo Museu do Ipiranga e pela Pinacoteca, em São Paulo.
Kojima produziu milhares de peças, entre vasos, bules, conjuntos de xícaras e pratos. O forno antigo deixou de ser usado em julho de 2021, quando acendê-lo já exigia muito esforço. A partir daí, o artista recorreu a fornos elétricos.
Por mais de 50 anos, foi casado com a artista Moriyo Kojima. Os dois se conheceram em um encontro arranjado por um padrinho e se casaram três meses depois do primeiro beijo. O casal teve 3 filhos, 5 netos e 2 bisnetas.
Mesmo aos 92 anos, Kojima continuava pintando cerâmicas e fazendo ikebana, nome dado aos arranjos florais japoneses. Também planejava uma nova exposição e pensava em comemorar seu aniversário de cem anos. Como homenagem final, a família colocou aos seus pés, dentro do caixão, um tijolo do forno construído por ele.


