Cineastas, atores e produtores brasileiros integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgaram uma carta aberta sobre o cenário político do país. O documento pede que a imprensa internacional acompanhe o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e que denúncias relacionadas à disputa sejam investigadas de forma independente.
Entre os 58 signatários estão Wagner Moura, Alice Braga, Fernando Meirelles, Kleber Mendonça Filho, Petra Costa e Rodrigo Teixeira, produtor de Ainda Estou Aqui. Também assinam o manifesto Alê Abreu, Anna Muylaert, Karim Aïnouz, Sônia Braga e Laís Bodanzky.
O documento menciona possíveis interferências estrangeiras, supostas limitações à circulação de conteúdos políticos nas plataformas da Meta e denúncias de pagamentos a eleitores em áreas rurais. Os signatários citam a destinação de aproximadamente 1 milhão de dólares, por um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado americano, ao programa “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”. Para o grupo, as suspeitas exigem apuração transparente e acompanhamento internacional do processo eleitoral.
A carta também contesta propostas atribuídas ao candidato Flávio Bolsonaro, como a elaboração de uma nova Constituição por um Congresso de maioria alinhada à direita e a concessão de anistia ao pai, Jair Bolsonaro, que o documento afirma estar preso. Os signatários associam a disputa atual aos acontecimentos posteriores à derrota do ex-presidente nas eleições de 2022: ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
Cultura e democracia
Os profissionais afirmam ainda que uma eventual mudança de governo pode afetar os investimentos públicos e a sustentabilidade da indústria audiovisual brasileira. O manifesto menciona a extinção do Ministério da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro, além de impactos sobre as atividades e os recursos do Fundo Setorial do Audiovisual e o enfraquecimento de instituições culturais.
“Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade de longo prazo da indústria audiovisual brasileira são inseparáveis da defesa da democracia”, afirma o documento. Ao final, a carta pede cobertura internacional rigorosa, ampliação do debate pela comunidade audiovisual e investigação independente pelas instituições competentes.


