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Política

Autonomia financeira é o critério para diferenciar conservadorismo e antifeminismo

A distinção é discutida a partir da trajetória de Eduarda Campopiano e de dois livros sobre autonomia e papéis tradicionais.

Autonomia financeira é o critério para diferenciar conservadorismo e antifeminismo
Foto: Reprodução/Twitter

A eleição de Eduarda Campopiano, 23 anos, deputada estadual pelo PL em São Paulo, colocou em debate a diferença entre conservadorismo e antifeminismo. Eleita por quase 2 milhões de votos, ela foi a pessoa mais votada para a Assembleia Legislativa paulista e liderou a votação para esse cargo específico no país.

Campopiano defende posições contrárias ao aborto e a mudanças de gênero, além de negar a existência do feminicídio. A análise apresentada no debate sustenta, porém, que essas posições não bastam para classificá-la como antifeminista. O critério central seria a resposta à independência financeira das mulheres.

Nessa distinção, quem defende o direito das mulheres a bens e autonomia material pode ser conservador, mas não necessariamente antifeminista. Já a rejeição desse direito caracterizaria o antifeminismo. A autonomia financeira é apresentada como condição para que uma mulher possa decidir o próprio destino e participar da política.

Literatura e autonomia

Em Um Teto Todo Seu, publicado em 1929, Virginia Woolf discute a produção de mulheres escritoras de ficção. A autora relaciona a possibilidade de escrever à necessidade de ter dinheiro e um espaço próprio. A dependência econômica, nessa leitura, limita a liberdade e o poder de decisão.

O livro Bons Tempos, de Caro Claire Burke, aborda a trajetória de Natalie, uma jovem cristã que deseja ser esposa, mãe e dona de casa. Depois de se casar com um homem rico e deixar a faculdade, ela passa a viver em uma fazenda e transforma a rotina da família em conteúdo para as redes sociais. Com isso, torna-se influenciadora e passa a contribuir financeiramente para a casa, embora defenda o modelo de esposa tradicional.

Em determinado momento, Natalie acorda em 1855. Nesse período, mulheres americanas não podiam trabalhar sem autorização do marido, possuir bens em seu próprio nome, votar ou disputar cargos políticos. Nos Estados Unidos, o voto feminino foi permitido em 1920; no Brasil, a partir de 1932. A autonomia patrimonial das mulheres casadas chegou aos estados americanos mais conservadores em 1895 e ao Brasil em 1962.

Os dois livros não são apresentados como críticas à vida doméstica tradicional ou à fé de suas personagens. A discussão está na contradição entre rejeitar o feminismo e utilizar direitos conquistados por movimentos feministas.

A partir desse argumento, mulheres que são contra o aborto ou outras pautas feministas podem ser conservadoras. Para serem antifeministas no sentido mais estrito proposto, contudo, teriam de rejeitar o trabalho, a autonomia financeira e a participação política, além de se dedicar exclusivamente ao lar.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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