SÃO PAULO — O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, defendeu a abertura de investigações sobre a acusação de que Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria entregue propina às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o pagamento teria sido articulado por Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado.
A declaração foi dada durante uma sabatina em São Paulo. Questionado se Kassab permaneceria na chapa caso a Polícia Federal investigasse o caso, Caiado afirmou que “tem que abrir todas as informações”. O candidato acrescentou que Kassab e Tarcísio negaram as acusações e defendeu que a PF e o Supremo Tribunal Federal esclareçam se houve irregularidade.
Vorcaro disse às autoridades que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio teriam sido propina. O relato aparece em três propostas de delação apresentadas pelo ex-banqueiro, recusadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por não trazerem fatos inéditos. Vorcaro também não teria apresentado provas para comprovar as acusações.
O ex-banqueiro mencionou ainda um suposto caixa dois de R$ 10 milhões para o PSD. Kassab nega as declarações, afirma que elas “não têm qualquer sustentação factual” e diz não ter relação com Vorcaro.
Posições apresentadas na sabatina
Caiado negou ter beneficiado o Banco Master durante seu governo em Goiás por meio de uma lei que ampliou o crédito consignado. Segundo ele, a medida alcançou todas as empresas habilitadas a operar o crédito no estado, incluindo o banco.
Sobre o Supremo Tribunal Federal, o candidato defendeu novas regras para os ministros: idade mínima de 60 anos, quarentena de quatro anos antes do retorno à profissão e prazo de oito anos para que um magistrado entre na política. Caiado também voltou a defender a quebra do sigilo dos processos relacionados ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Na economia, propôs cortar 100% das emendas impositivas, auditar o uso do dinheiro público e revisar quase R$ 600 bilhões em incentivos e isenções fiscais. Na segurança pública, manteve a posição contrária ao uso de câmeras por policiais.
Desempenho eleitoral
No Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Caiado registrou 4% das intenções de voto. Augusto Cury, do Avante, passou de 2% para 8% e ficou em terceiro lugar.
O candidato tem sido cobrado a ampliar o foco de sua campanha para além de Goiás. Durante a sabatina, disse que iria “ser governador do estado”, em vez de mencionar a disputa pela Presidência da República.
Para o cientista político Elias Tavares, o desafio de Caiado é converter a exposição da campanha em crescimento eleitoral e se firmar como alternativa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Tavares afirmou que o candidato é conhecido, tem experiência administrativa e discurso definido na segurança pública, mas que essa exposição ainda não se transformou em intenção de voto na velocidade esperada.

