APARECIDA DE GOIÂNIA — Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende mudar as regras para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito presidente. Entre as propostas mencionadas estão a exigência de idade mínima de 60 anos para assumir o cargo e a criação de restrições profissionais e eleitorais após a saída da Corte.
O candidato também criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes durante entrevista à imprensa. Para Caiado, Moraes não deveria continuar participando de julgamentos nem tomando decisões no Supremo diante das informações divulgadas sobre a crise envolvendo o extinto Banco Master e empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“É inaceitável, é inadmissível, com tudo aquilo que veio à tona, ainda o ministro Alexandre de Moraes continuar ali dando decisões, julgando processos”, afirmou Caiado.
Indicações ao Supremo
Questionado sobre a crise, o candidato disse que, em um eventual mandato, poderia indicar quatro ministros para o STF. Segundo ele, todas as vagas seriam ocupadas por mulheres. Caiado não informou quais nomes escolheria se fosse eleito em outubro.
“Eu terei ali a possibilidade de indicar quatro vagas do Supremo. As quatro serão indicadas por mim, serão mulheres que estarão assumindo o Supremo Tribunal Federal”, disse.
A declaração ocorreu durante uma visita à feira livre do Graravelo, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Caiado chegou às 9h em frente ao Terminal do Graravelo e percorreu o local. Ele conversou e tirou fotos com feirantes e populares.
O candidato esteve acompanhado pela candidata ao Senado Gracinha Caiado e pelo candidato ao governo de Goiás Daniel Vilela. Os dois se encontraram no trajeto e seguiram juntos até o canteiro central da Avenida Tropical, onde falaram com a imprensa.
Crise envolvendo instituições
A crise mencionada por Caiado começou após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, encontrar conteúdos no celular de Daniel Vorcaro. A investigação passou a envolver informações relacionadas ao STF, à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal, ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto.
Na terça-feira (1º), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios produzidos, a seu pedido, pela Polícia Federal. Os documentos citavam autoridades como Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Parte dos relatórios registrava mensagens entre Moraes e Vorcaro. Depois, Moraes questionou diligências autorizadas por Mendonça e pediu a abertura de investigação sobre a atuação do ministro. Os documentos de inteligência citados no pedido têm ressalva de que não possuem caráter probatório e não podem ser usados como prova judicial.


