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AfD lidera eleição em Saxônia-Anhalt e terá de negociar para governar

Partido de extrema direita conquistou 44% dos votos, mas ficou abaixo das cadeiras necessárias para formar maioria no estado alemão.

AfD lidera eleição em Saxônia-Anhalt e terá de negociar para governar
Foto: Ronny Hartmann/AFP

A AfD (Alternativa para a Alemanha) conquistou a maior bancada da história de um Parlamento alemão para um partido de extrema direita desde a Segunda Guerra Mundial. Na eleição estadual realizada neste domingo (6), a legenda obteve, segundo projeções, 44% dos votos em Saxônia-Anhalt, no leste do país.

O resultado não garante a maioria necessária para que Ulrich Siegmund assuma o cargo de ministro-presidente, equivalente ao de governador. A AfD teria 39 cadeiras, enquanto a maioria exigiria 42. Para governar, o partido precisará negociar com outras siglas, que até agora mantêm distância da legenda.

Alice Weidel, colíder da AfD, afirmou que o resultado representa um “mandato claro” e que seu alcance vai além de Saxônia-Anhalt. Ela também disse que o partido está disposto a conversar com outras legendas, inclusive aquelas que rejeitam uma associação com a extrema direita.

A CDU, partido do primeiro-ministro Friedrich Merz, ficou em segundo lugar, com 17,5% dos votos. O desempenho representou aproximadamente metade do resultado obtido pela sigla no pleito de 2021. O atual governador, Sven Schulze, pertence ao partido.

A Esquerda alcançou 8,6%, os Verdes ficaram com 8,9% e o SPD obteve 9,2%, segundo as projeções. A BSW atingiu 5,1% e pode ter superado a cláusula de barreira. A legenda havia mencionado a possibilidade de formar um governo com a AfD.

Negociações e oposição à AfD

Siegmund afirmou que estenderia a mão às forças democráticas interessadas em discutir políticas públicas, mas indicou que a AfD manteria suas principais bandeiras em qualquer negociação. Entre elas estão imigração, segurança doméstica e uma reaproximação com a Rússia.

A possibilidade de acordo enfrenta o chamado Brandmauer, prática pela qual partidos democráticos evitam formar alianças com a AfD. Os serviços de inteligência alemães classificam a legenda como “comprovadamente de extrema direita”. Integrantes do partido são investigados por discurso de ódio e neonazismo.

Embora parte dos conservadores considere uma coalizão com a AfD, a CDU pode tentar formar um governo de minoria. Nesse caso, precisaria de apoio pontual da Esquerda. Esse modelo é proibido por uma resolução da CDU, mas já existe em outros estados alemães.

Schulze parabenizou os adversários e declarou: “Isso é democracia”. Para Lars Klingbeil, líder do SPD e vice-premiê, o desempenho da AfD foi um sinal para Berlim. Os sociais-democratas integram o governo de Merz.

O comparecimento chegou a 78%. Em Magdeburgo, capital de Saxônia-Anhalt, a presença de policiais superou a de manifestantes em vários protestos programados para o dia. Também houve uma pequena altercação entre militantes da AfD e integrantes de movimentos sociais.

Trajetória do partido

Criada por economistas em 2013, após a crise do euro, a AfD ganhou espaço com posições contra a imigração e críticas a pautas associadas à esquerda, como ambientalismo, transição energética e direitos de minorias. O partido também defende propostas como remigração, deportação em massa, proibição de médicos estrangeiros, retorno do marco alemão e saída da União Europeia.

Siegmund ganhou projeção dentro da legenda durante a pandemia, quando se tornou conhecido por críticas às restrições impostas pelo governo. Na campanha para o governo estadual, usou o TikTok e referências à memória da antiga Alemanha Oriental.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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