A eleição deste domingo (6) na Saxônia-Anhalt poderá definir se a Alternativa para a Alemanha (AfD) terá condições de tentar formar, pela primeira vez, um governo estadual na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O partido de extrema direita aparece à frente nas pesquisas, mas uma vitória nas urnas não garante, por si só, o comando do Estado.
A pesquisa mais recente do Insa aponta 43% das intenções de voto para a AfD, contra 22% para a União Democrata-Cristã (CDU). Os dados são de agosto. A CDU governa atualmente a Saxônia-Anhalt e tem entre seus principais nomes o chefe do governo estadual, Sven Schulze, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
A definição do chefe do governo ocorre no Parlamento estadual. Como os demais partidos já rejeitaram a possibilidade de formar uma coalizão com a AfD, o número de cadeiras obtido pela legenda será determinante para o desfecho político após a votação.
O candidato da AfD
O principal candidato do partido é Ulrich Siegmund, de 35 anos, deputado regional e ex-profissional do ramo de perfumes. Ele ganhou projeção nas redes sociais ao publicar vídeos com críticas à imigração, defesa de uma identidade nacional e ataques à imprensa.
Durante a campanha, Siegmund também adotou uma atuação mais informal, com selfies, autógrafos em camisetas e participação em eventos ao ar livre. A estratégia combinou a presença nas redes sociais com atividades presenciais entre os eleitores.
A Saxônia-Anhalt fica no centro-leste da Alemanha e integrava a antiga Alemanha Oriental. A região tem cerca de 2,1 milhões de habitantes e está entre as áreas com menor PIB per capita do país. Depois da reunificação alemã, em 1990, passou por fechamento de empresas, saída de moradores e desigualdades em relação ao oeste alemão.
Programa e classificação da legenda
Criada em 2013 como uma legenda eurocética, a AfD se radicalizou principalmente durante a crise de refugiados de 2015 na Europa, associada à Guerra na Síria. Desde então, ampliou sua presença eleitoral, sobretudo nos Estados que pertenciam à antiga Alemanha Oriental.
Entre as propostas da legenda estão o aumento das deportações de requerentes de asilo rejeitados e a criação de turmas separadas nas escolas para imigrantes e crianças com necessidades especiais. O partido também defende o cancelamento de concessões de emissoras públicas no Estado e a retirada de recursos de projetos considerados “não alemães” ou “antialemães”, sem detalhar os critérios para essa classificação.
Desde 2023, o braço regional da AfD é classificado pelo serviço de inteligência estadual como organização extremista de direita. A avaliação permite ampliar a vigilância sobre o partido, mas não impede sua participação eleitoral. Uma eventual proibição dependeria do Tribunal Constitucional.
Analistas políticos avaliam que uma vitória regional da AfD colocaria à prova a capacidade de resistência das instituições alemãs.


