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Política

AfD leva propostas de ruptura ao centro da disputa em Saxônia-Anhalt

Partido defende deportações, saída da União Europeia e fim do euro antes da eleição estadual deste domingo (6).

AfD leva propostas de ruptura ao centro da disputa em Saxônia-Anhalt
Foto: Annegret Hilse/Reuters

A Alternativa para a Alemanha (AfD) chega à eleição de Saxônia-Anhalt com um programa que prevê deportação em massa, proibição de professores expressarem opiniões em sala de aula, demissão de profissionais de saúde estrangeiros e saída do euro e da União Europeia.

A votação ocorre neste domingo (6), e o partido tenta conquistar uma maioria suficiente para indicar Ulrich Siegmund como ministro-presidente do estado, cargo equivalente ao de governador. As pesquisas de opinião apontam 39 cadeiras para a sigla, mas Siegmund afirma buscar uma maioria segura. A cláusula de barreira é de 5%.

A polícia alemã trabalha com a possibilidade de protestos e violência de ativistas e grupos extremistas caso o resultado esperado pela AfD não seja alcançado. Um eventual governo do partido teria peso simbólico por representar a primeira administração de extrema direita na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de um século depois da ascensão de Adolf Hitler e do Partido Nazista.

Campanha com referências ao passado

Em um comício realizado em um terreno cercado ao lado do rio Elba, em Magdeburgo, o rosto de Siegmund aparece em materiais que lembram o pôster “Hope”, usado na campanha de Barack Obama em 2008. Outra imagem apresenta o candidato como “homem mais perigoso da Alemanha”, expressão retirada de uma capa da revista Der Spiegel e incorporada à campanha.

A AfD foi criada por economistas em 2013, durante a crise do euro. O partido ganhou espaço com a oposição à imigração, impulsionada pela política de portas abertas de Angela Merkel em 2015, e com críticas ao ambientalismo, à transição energética e aos direitos de minorias.

Siegmund se aproximou do centro da atuação partidária durante a pandemia, quando ganhou projeção ao criticar as restrições impostas pelo governo. Em 2024, foi flagrado discutindo reimigração com empresários em uma reunião secreta em Potsdam. Dois anos mais tarde, Alice Weidel, colíder da AfD, usou o termo em um discurso acompanhado por Elon Musk, na véspera da eleição federal. Na ocasião, a sigla alcançou a segunda maior bancada no Bundestag, o Parlamento federal alemão.

Impacto econômico das propostas

O fim do imposto de radiodifusão, que financia as TVs públicas, e a saída do euro e da União Europeia custariam € 690 bilhões (R$ 4,06 trilhões) ao país nos primeiros cinco anos de uma eventual separação, segundo o Instituto de Economia Alemã. As medidas também poderiam significar a perda de 2,5 milhões de postos de trabalho.

A expulsão de imigrantes deixaria a Alemanha sem um quarto dos motoristas de caminhão e dos chefes de cozinha, além de metade dos médicos.

A AfD mantém uma linha mais radical do que a adotada por Marine Le Pen, na França, e Giorgia Meloni, na Itália, que alteraram posições ou ampliaram pautas para alcançar setores mais amplos do eleitorado. Na Alemanha, o partido continua associando sua campanha à rejeição da imigração e à tentativa de retirar do debate o peso histórico do período nazista.

Um eletricista de 23 anos que chegou ao comício de bicicleta resumiu sua preferência pela sigla: “prefiro algo novo ao antigo que nunca funcionou”. Ele afirmou ver na AfD alguém que parece se importar mais e apresentar planos.

A proposta de zerar o passado alemão, porém, aparece ligada à tentativa de afastar da geração atual a responsabilidade pelo experimento totalitário que defendia a ideia de um país superior. O objetivo declarado pelo partido é apresentado sem esclarecer se pretende eliminar a culpa pelo ocorrido ou a culpa de pensar da mesma forma um século depois.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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