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Política

Documento interno questiona condutas atribuídas a Mendonça em investigações no STF

Relatório usado por Alexandre de Moraes reúne hipóteses de baixa confiança e acusações sobre a atuação de André Mendonça.

Documento interno questiona condutas atribuídas a Mendonça em investigações no STF
Foto: Reuters

O relatório interno da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes para contestar a atuação de André Mendonça afirma que o ministro teria interferido na condução de investigações sobre o Instituto Nacional do Seguro Social e o Banco Master. A própria corporação classificou o documento, que não tem autoria identificada, como sem valor probatório.

O material também reúne menções a Jorge Messias, advogado-geral da União, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a outros integrantes do Supremo Tribunal Federal. Parte das hipóteses é descrita como de baixa confiabilidade, e o relatório adverte que não autoriza medidas formais nem manifestações públicas da Polícia Federal.

Acusações sobre a condução dos casos

Segundo o documento, Mendonça teria assumido funções consideradas próprias da investigação nos processos sob sua relatoria. Entre os exemplos estão a escolha de delegados, o controle sobre equipes investigativas e o acesso ao conjunto de provas.

A avaliação da PF é que o ministro teria exercido poderes de presidência da investigação, em vez de apenas supervisionar judicialmente os trabalhos. O relatório relaciona essa atuação a três consequências: submissão de decisões administrativas da corporação ao controle judicial, acesso direto às provas ainda não tratadas e redução da supervisão técnica dos delegados.

Esse argumento é apresentado por uma ala do STF como fundamento para que Mendonça deixe a relatoria dos casos. Entre os investigados está o filho de Luiz Inácio Lula da Silva.

O documento também compara o tempo de análise de pedidos de busca relacionados aos senadores Jaques Wagner e Ciro Nogueira e ao ex-governador Cláudio Castro. A avaliação levou nove dias no caso de Wagner, 29 dias no de Ciro e 75 dias no de Castro. A PF diz que a diferença pode sugerir relação entre o prazo de apreciação e o perfil dos investigados, mas ressalva que a amostra é pequena e reúne casos com complexidades distintas.

Relações com autoridades

O relatório sustenta que Alcolumbre seria um provável alvo estratégico de Mendonça. A hipótese é associada a uma desavença entre os dois desde o governo passado, quando o senador teria dificultado a indicação de Mendonça ao STF.

Ainda conforme o documento, Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, teria sido considerado uma rota de acesso para atingir politicamente Alcolumbre. A finalidade atribuída à estratégia seria impedir a consolidação do favoritismo do senador à Presidência do Senado e limitar seu controle sobre a pauta de eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF.

O relatório vincula essa hipótese à possibilidade de uma futura recomposição de forças no tribunal favorável à anistia dos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. A própria PF, porém, classifica essas conclusões como conjecturas de baixa confiabilidade.

Messias aparece no contexto da decisão da Advocacia-Geral da União de não recorrer contra medidas de Mendonça que restringiam atos administrativos da PF, como a composição de equipes e a entrega do acervo de provas. A hipótese apresentada é que o advogado-geral buscaria preservar sua relação política com o ministro.

O documento afirma que Messias teve sua indicação ao STF rejeitada pelo Senado em abril de 2026 e que procuraria apoio de Mendonça e de grupos ligados a ele, entre os quais igrejas evangélicas, em uma tentativa de renovar a indicação. A PF classifica essa avaliação como de confiança agregada baixa e diz que ela serviria apenas para monitoramento e coleta dirigida de inteligência interna.

Tratamento atribuído a Moraes

Outra parte do relatório trata da suposta intenção de Mendonça de abrir uma investigação formal contra Moraes. O ministro teria pedido mais de uma vez que a equipe da PF encaminhasse uma provocação para esse fim.

Como a PF e a Procuradoria-Geral da República não teriam apresentado elementos contra Moraes, Mendonça teria agido por iniciativa própria. O documento afirma que ele determinou diligências contra o colega e convocou investigadores ao gabinete, onde entregou uma cópia não assinada da decisão sem dar vista prévia à PGR.

A PF registra uma possível diferença de tratamento entre Moraes e os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. A hipótese é classificada com grau de confiança baixo porque não teria sido construída a partir de uma comparação documental.

Menções a Gonet e Andrei Rodrigues

Paulo Gonet e Andrei Rodrigues são citados nominalmente uma vez cada. O relatório descreve desconfianças atribuídas a Mendonça sobre os dois.

Andrei teria sido considerado próximo demais de Lula, o que, na avaliação atribuída ao ministro, impediria a confiança nele. O documento também relata que Mendonça teria preparado uma medida para afastar cautelarmente o diretor-geral da PF.

Em relação a Gonet, a suspeita estaria ligada à proximidade dele com Gilmar Mendes. Mendonça teria cogitado convocá-lo como testemunha nos processos, o que a PF interpreta como uma tentativa de retirá-lo do comando da acusação.

A corporação considera alta a confiança na ausência de fatos concretos apresentados para justificar essas medidas e nas consequências jurídicas projetadas. Já a ocorrência das reuniões mencionadas é classificada entre baixa e moderada, porque os relatos seriam apenas verbais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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