A sessão do Supremo Tribunal Federal foi marcada por acusações entre ministros, críticas à condução do julgamento e presença incomum de policiais no plenário. O confronto mais direto ocorreu entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, que se sentam lado a lado por causa da ordem de posse na corte.
Durante a leitura do relatório pelo presidente do STF, Edson Fachin, Moraes e Mendonça não interagiram. Depois, Moraes acusou Mendonça de plantar uma investigação contra ele no caso envolvendo o Banco Master. Mendonça respondeu chamando o colega de mentiroso.
Enquanto não falava, Mendonça manteve as mãos em forma de oração, batucou na mesa e grifou documentos com um marca-texto cor-de-rosa. Moraes balançou a cadeira, consultou o celular e fez anotações nos autos com uma caneta azul. Cármen Lúcia acompanhou parte da sessão apoiando o queixo ou a testa nas mãos.
Pelo menos oito policiais circularam pelo plenário, observando os presentes. Agentes de segurança chamaram a atenção de uma pessoa que usava mímicas para se comunicar à distância. Com a orientação de silêncio absoluto, a plateia passou a trocar bilhetes. Os celulares dos presentes foram lacrados.
A TV Justiça recebeu orientação para não exibir os embates diretos. Quando as discussões se agravavam, a transmissão concentrava as imagens em Fachin, mantendo os áudios.
No intervalo, por volta das 13h, Flávio Dino fez um aceno de paz a Fachin e afirmou que as críticas anteriores à condução do presidente do STF não eram pessoais. Dino também conversou com Mendonça sobre os procedimentos adotados no julgamento, sem tratar do mérito, conforme interlocutores dos dois ministros.
Pedido de vista interrompe julgamento
Na retomada, por volta das 15h30, Dino intensificou as críticas à forma como Fachin conduzia a sessão. O episódio terminou com um pedido de vista, que interrompeu o julgamento. Em seguida, Dino deixou o plenário e foi acompanhado por Gilmar Mendes. Os dois riram na sala de lanches anexa ao local e depois voltaram para suas cadeiras.
Dias Toffoli permaneceu durante todo o julgamento, mesmo após reforçar a declaração de suspeição feita em março sobre as investigações do Master. Em diferentes momentos, pressionou a região entre as sobrancelhas e cochichou com Gilmar.
Ao fim, por volta das 18h20, Fachin deixou o plenário acompanhado por Cármen Lúcia e Luiz Fux. Ex-presidentes do STF não compareceram, embora tivessem enviado a Fachin um manifesto em defesa de uma solução para a crise. Os lugares reservados a eles ficaram vazios. Depois, novas gargalhadas foram ouvidas na sala de lanches.


