A divulgação de um manifesto empresarial sobre a crise institucional ligada ao Banco Master está prevista para ocorrer entre os dias 8 e 10. Os organizadores decidiram não publicar o documento no feriado de 7 de Setembro, para evitar a interpretação de que a iniciativa teria uso político em período eleitoral.
A mobilização reúne entidades de setores como indústria, comércio, agro, transportes e cooperativas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) começou a convocar sindicatos patronais e associações setoriais para um abaixo-assinado. O rascunho afirma que a República enfrenta um teste de integridade inédito e propõe que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste e debata a crise.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) também prepara um manifesto e informa ter reunido mais de mil assinaturas de associações e federações comerciais. Entre as entidades que aderiram estão o Sindibrinquedos, ligado à indústria de brinquedos, e a Abinee, da indústria elétrica e eletrônica. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Anfavea, que representa a indústria automotiva, afirmam que também participarão.
Há, porém, resistência entre possíveis signatários. Algumas entidades temem se envolver em polêmicas e em acusações de partidarização da Fiesp, como ocorreu em outras ocasiões. Segundo os organizadores, o documento pretende representar uma manifestação da sociedade civil diante do agravamento da crise institucional.
A discussão ganhou força após a revelação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reagiu pedindo a anulação do relatório da Polícia Federal.
A atuação recente da Fiesp também é considerada no debate. Em 2026, Paulo Skaf voltou à presidência da entidade, cargo que ocupou de 2004 a 2021. Antes da posse, ele anunciou conselhos superiores com nomes que participaram do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, como Sergio Moro e Joaquim Alvaro Pereira Leite, mas negou viés político.
Em janeiro, a Fiesp exibiu a bandeira do Brasil na fachada depois da revelação de um contrato de R$ 130 milhões mantido pelo escritório da mulher de Moraes com o Master. A bandeira havia sido usada pela entidade durante as investigações da Lava Jato e em apoio ao impeachment de Dilma Rousseff.
Em 2022, quando Josué Gomes da Silva presidia a Fiesp, a entidade enfrentou uma crise com uma tentativa de destituição do presidente. Josué, filho de José Alencar (1931-2011), foi acusado por opositores de ligação com o PT. Um dos motivos do conflito foi um manifesto que destacava o papel do Judiciário na defesa da democracia. José Alencar foi vice-presidente de Lula entre 2003 e 2010.


