BRASÍLIA — A venda de créditos do Banco de Brasília (BRB) ao Banco XP foi concluída depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a liberação de garantias vinculadas à operação. Em 28 de agosto de 2026, o ministro André Mendonça determinou o cancelamento das restrições registradas sobre 23 imóveis na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (Cnib). Em 3 de setembro, a 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal informou que a ordem havia sido cumprida.
Com a retirada das indisponibilidades, o BRB passou a constar no sistema sem restrições e recebeu sinal verde para vender os créditos. O negócio, formalizado em 21 de agosto, envolveu seis Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) da Esfera Aquisições Imobiliárias. O Banco XP pagou R$ 304,6 milhões, enquanto o valor econômico dos créditos chegava a R$ 400,7 milhões.
Origem dos créditos
O Master era o credor original das operações. Em junho de 2025, os créditos foram transferidos ao BRB, que os negociou com a XP pouco mais de um ano depois. As CCBs tinham vencimentos entre janeiro e agosto de 2029 e eram garantidas por alienação fiduciária de imóveis da Esfera.
Os saldos registrados eram de R$ 110,6 milhões, R$ 51,2 milhões, R$ 28,8 milhões, R$ 63,1 milhões, R$ 62,4 milhões e R$ 84,6 milhões. O BRB recebeu os ativos do Master no ano passado, como compensação pela compra de carteiras de crédito e outros ativos sem lastro produzidos no banco de Daniel Vorcaro.
Entre os ativos estava uma participação no Fundo Trevi, que tinha a Esfera Aquisições Imobiliárias sob sua estrutura. O fundo tinha outros dois sócios, e o grupo RZK Empreendimentos assumiu o controle integral da operação ao comprar as participações, incluindo a do BRB. Com isso, tornou-se o único devedor das CCBs e pagou R$ 35 milhões ao banco estatal, à vista e em setembro.
O BRB também recebeu de Vorcaro a titularidade dos créditos. Assim, passou a figurar simultaneamente como credor e devedor na estrutura da operação. Depois da reorganização, concluiu a negociação ao transferir as CCBs para a XP.
Condições e garantias
O contrato de cessão e aquisição de créditos integra os dados das investigações sobre as operações entre o BRB e o Master. A documentação previa auditorias jurídica, técnica, contábil, de crédito e fiscal, além da comprovação do registro das CCBs na B3 e da entrega de documentos relativos à transferência anterior dos créditos.
Pessoas envolvidas nas negociações afirmaram que o BRB recebeu o pagamento à vista, com entrada dos recursos em setembro. O banco não comentou a operação e alegou sigilo comercial. A XP também não se manifestou.
A venda ocorre enquanto o BRB enfrenta dificuldade de liquidez após adquirir carteiras de crédito e outros ativos sem lastro do Master. O governo do Distrito Federal ainda não fechou o empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para realizar o aumento de capital exigido pelo Banco Central. O valor recebido pela venda reforçou o caixa do banco estatal.


