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Justiça

Julgamento do STF sobre caso Master concentra foco em relações com autoridades

Sessão deve examinar principalmente a chamada fase de blindagem, mas o caso envolve Banco Central, mercado, Congresso e órgãos de controle.

Julgamento do STF sobre caso Master concentra foco em relações com autoridades

O julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre o caso envolvendo o Banco Master deve se concentrar nas relações de Daniel Vorcaro com ministros, integrantes do Ministério Público, autoridades policiais e outros agentes públicos. A avaliação é que essa etapa representa apenas uma parte de uma crise que também envolve a aprovação do banco, a gestão de riscos e a captação de recursos públicos.

A aquisição do Banco Máxima por Vorcaro foi rejeitada pelo Banco Central em 13/2/2019, durante a presidência de Ilan Goldfajn, por falta de comprovação da origem e da licitude do capital. Depois de uma reestruturação societária e financeira, a operação foi aprovada por unanimidade em 14/10/2019. Em 2021, o Máxima passou a se chamar Banco Master e adotou uma estratégia de captação por CDBs com remuneração acima das taxas de mercado e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

O Banco Central recebeu denúncias e, em dois anos, enviou 31 ofícios ao Master para exigir ajustes, provisões, reforço de capital e mudanças na gestão. No primeiro semestre de 2024, determinou que o banco captasse R$ 15 bilhões e reduzisse a dependência dos CDBs. A instituição conseguiu captar R$ 2 bilhões. Em novembro de 2024, o BC deu prazo de seis meses para a adequação.

Acordo com o BRB e liquidação

Galípolo assumiu a presidência do Banco Central em 1/1/2025. Em março, o Master apresentou um plano de aquisição pelo BRB, rejeitado pelo BC em setembro. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Vorcaro foi preso em 17/11/2025 por ordem da Justiça Federal do Distrito Federal.

O caso também envolve investimentos de regimes e empresas públicas. O Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras e fundos, enquanto a Cedae aplicou R$ 200 milhões em CDB. A Amprev, do Amapá, aplicou R$ 470 milhões; a Amazonprev, R$ 50 milhões; e o BRB, R$ 12,2 bilhões em carteiras variadas.

A operação do Credcesta, cartão de crédito com desconto em folha de servidores, também é citada. O negócio envolveu a gestão da Bahia e a aquisição, em 2019, de 50% do empreendimento por Vorcaro, ainda durante o período do Banco Máxima.

Relações com autoridades

A etapa examinada pelo STF inclui a atuação de pessoas ligadas ao banco em investigações, contratos e contatos com autoridades. Em 2021, Vorcaro teria contado com a colaboração de um escrivão da Polícia Federal. No mesmo ano, surgiu uma operação envolvendo Dias Toffoli, a Madrit Participações, o resort Tayayá, o fundo Arleen e a Reag. Toffoli reconheceu a operação, mas afirmou não saber que Vorcaro estava por trás dela.

Em janeiro de 2024, foram negociados os serviços do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. No mesmo período, a Consult Inteligência Tributária contratou Kevin Nunes Marques, filho do ministro Nunes Marques. Em abril, o Master financiou o 1° Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, com a presença de ministros do STF e do STJ, do procurador-geral da República, do ministro da Justiça e do diretor-geral da Polícia Federal.

Mensagens trocadas entre fevereiro e abril de 2025 também indicariam uma aproximação de Vorcaro com André Mendonça, intermediada pelo advogado Ciro Soares. Em 15/3/2025, Soares teria enviado a Vorcaro uma foto ao lado de Paulo Gonet e retransmitido pedidos relacionados ao custeio de viagem dos filhos do procurador-geral.

Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos em 17/11/2025. Em 28/11/2025, o TRF-1 concedeu habeas corpus, e o juízo de primeiro grau remeteu o caso ao STF. A relatoria foi distribuída a Dias Toffoli, que depois se declarou impedido. André Mendonça assumiu o caso, enquanto provas foram divulgadas e passaram a integrar a controvérsia que será analisada pelo Supremo.

A avaliação é que o julgamento não deve apagar as demais frentes do caso. Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, instituições financeiras, Congresso Nacional, Ministério Público e Judiciário aparecem, em diferentes níveis, entre os setores relacionados à crise. As acusações e suspeitas mencionadas ainda dependem de apuração e comprovação nos procedimentos correspondentes.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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