BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) afastou cinco empregados, incluindo dois ex-diretores, no âmbito das investigações internas sobre operações realizadas com o Banco Master. O banco não informou os nomes dos demais afastados nem as datas das medidas.
Os afastamentos foram autorizados pelo Conselho de Administração, a pedido da corregedoria, e atingiram executivos que trabalharam durante a gestão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que está em prisão preventiva. O banco afirmou que as medidas são cautelares e não antecipam uma conclusão sobre as investigações.
Entre os afastados está Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de finanças e controladoria. Ele havia deixado a diretoria e sido transferido para uma agência do BRB depois da operação que liquidou o Master. Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de controles e riscos, também foi afastada. Destituída do cargo em janeiro, ela trabalhava em uma agência do banco desde então.
A Polícia Federal encontrou na agenda de Luana uma anotação sobre uma reunião da diretoria do BRB realizada em 11 de julho do ano passado. O registro afirma que o então presidente do banco teria determinado a compra de carteiras de crédito para evitar a quebra do Master: “Presidente afirmou novamente que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras”. Luana não respondeu aos contatos feitos na quinta (10) e na sexta-feira (11). A defesa de Dario não se manifestou.
Outras medidas e investigação
Em abril, o BRB afastou Morganna Lisboa, então superintendente de Controle Institucional. A instituição informou na ocasião que a medida estava relacionada a uma suspeita de assédio moral, embora ocorresse no período das apurações sobre as operações com o Master. O banco também negou que uma auditoria independente tivesse identificado 31 empregados supostamente envolvidos nas operações e recomendado punições.
Em 24 de agosto, os acionistas autorizaram o BRB a mover ações contra ex-administradores que sejam apontados como responsáveis por prejuízos à instituição. A Polícia Federal informou ter identificado suspeitas envolvendo outros diretores e pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir o inquérito sobre a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master.
Relatório final da auditoria independente entregue à Polícia Federal em abril registra que as operações eram tratadas internamente como “negócio do presidente” e conduzidas sob pressão e urgência. O BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Daniel Vorcaro. Desse total, cerca de R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de ausência de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.
Costa está preso desde 16 de abril. A investigação aponta que ele teria recebido de Vorcaro seis imóveis de luxo como propina: quatro em São Paulo e dois em Brasília. Os imóveis foram avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos.
Desde que o caso veio a público, o BRB ainda não apresentou relatórios operacionais, incluindo as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), defende um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos, garantido por recursos de bancos privados, para bancar o rombo no BRB.
Os bancos consideram a operação arriscada, embora o Distrito Federal tenha oferecido recursos que receberá da União por meio do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios. Na quarta-feira (9), o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux deu 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos se manifestem sobre o pedido.


