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Economia

PF atribui a Augusto Lima criação de carteiras suspeitas vendidas pelo Master ao BRB

Petição aponta compras de R$ 12,2 bilhões em CCBs e estima prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões ao banco público.

PF atribui a Augusto Lima criação de carteiras suspeitas vendidas pelo Master ao BRB
Foto: Divulgação

A Polícia Federal atribui a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a elaboração de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas e posteriormente repassadas ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a corporação, o banco do governo do Distrito Federal comprou R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) apontadas como falsas. Uma auditoria mencionada na petição estima em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo provocado ao banco público.

As informações constam de documentos do caso Master que tiveram o sigilo retirado na quinta-feira (10). A petição foi apresentada para pedir autorização à quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos e tem 82 páginas. Ao final, aparece a data de 3 de fevereiro de 2025, enquanto a assinatura digital da delegada responsável consta como registrada em 18 de fevereiro de 2026. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que assumiu a relatoria do caso em 12 de fevereiro.

Relação com as carteiras

De acordo com a PF, as carteiras foram adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno, criada em dezembro de 2024 e prestadora de serviços ao banco de Daniel Vorcaro entre janeiro e junho de 2025. Parte dos empréstimos consignados havia sido firmada por associações de servidores públicos da Bahia. Posteriormente, essas associações foram relacionadas a Lima.

A petição afirma que, a partir de janeiro de 2025, as carteiras “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”. O documento também registra mensagens trocadas entre Lima e Henrique Peretto, apontado como controlador e dono da Tirreno, sobre a participação dos dois em uma reunião com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, em 28 de maio de 2025.

A PF cita ainda mensagens de Vorcaro nas quais o empresário recorreria pessoalmente a Lima para obter recursos do BRB. Segundo os investigadores, Lima seria procurado para intervir em pagamentos do banco público ao Master.

Em novembro de 2024, o BRB já teria identificado problemas em carteiras do Master. Em conversas, Paulo Henrique Costa e Dário Garcia, então diretor de finanças e controladoria, trataram de uma carteira Credcesta com valor contábil de R$ 179,6 milhões. Desse total, R$ 110 milhões foram considerados aptos, uma redução de quase 40%.

A polícia também afirma que Dário, com aval de Paulo Henrique, atuou para elevar de 4% para 5% o limite de inadimplência aceito nas carteiras. Novas compras seriam feitas em partes, chamadas de tranches, sem a necessidade de reiniciar todo o processo de aprovação.

Pagamentos à Terra Firme

A investigação identificou repasses do Master à Terra Firme, empresa controlada por Lima. Formalmente apresentados como pagamentos por serviços, os valores são considerados suspeitos pela PF e podem indicar desvio de recursos da instituição.

O documento afirma que pagamentos superiores a R$ 3 milhões coincidiram, em diferentes momentos, com intervenções de Lima junto ao BRB para o pagamento das carteiras. Em 29 de agosto de 2024, Raimundo enviou a Lima uma nota da Terra Firme para o Master. Na sequência, Lima compartilhou o contato de Alberto Félix, tesoureiro do banco. A nota tinha o valor de R$ 3.665.962,47.

Em 7 de abril de 2025, outras duas notas somaram R$ 7.000.192,59: uma de R$ 3.334.230,12 e outra de R$ 3.665.962,47.

Lima foi preso em novembro na Operação Compliance Zero, junto com Vorcaro e outros executivos, sob suspeita de envolvimento nas fraudes relacionadas às carteiras. Ele foi solto 11 dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica.

O empresário é associado à criação do Credcesta, cartão de benefício consignado lançado para servidores públicos da Bahia em 2018. O produto foi disseminado pelo Master e chegou a 24 estados e 176 municípios.

Defesa contesta acusações

A defesa de Augusto Lima rejeitou o conteúdo da petição e afirmou que não há fundamento para atribuir a ele os ilícitos mencionados. Também negou que o empresário tenha tratado com representantes do BRB sobre carteiras falsas ou participado das negociações.

Os advogados disseram que Lima não assinou documentos de cessão de carteiras ao BRB, não prestou informações falsas ao Banco Central e não foi responsável pela contabilidade do Banco Master. Segundo a defesa, a PF já havia afastado, em relatório, a alegação relacionada às associações de servidores.

Sobre os repasses à Terra Firme, a defesa afirmou que havia contrato regular de prestação de serviços e que as obrigações contratadas foram cumpridas. Também sustentou que Lima deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do Banco Central, enquanto a operação policial ocorreu em 18 de novembro de 2025.

A defesa declarou ainda que o empresário permanece à disposição das autoridades e que, após dez meses de investigação, acusações antigas não deveriam ser apresentadas como novidade. Os advogados afirmaram confiar na condução técnica e isenta do caso e disseram ter certeza de que a inocência de Lima será comprovada.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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