BENGALORE (ÍNDIA) E LONDRES — Bilal Chughtai, ex-engenheiro de pesquisa do Google DeepMind, afirmou que a inteligência artificial pode representar um risco extremo para a humanidade e defendeu que o ritmo de desenvolvimento seja ajustado. Ele deixou a empresa em julho de 2026, segundo seu perfil no LinkedIn, após trabalhar com pesquisas sobre segurança e alinhamento de inteligência artificial geral e ser coautor de artigos científicos.
Chughtai confirmou a saída da empresa nessa segunda-feira (14). “Recentemente, pedi demissão do Google DeepMind, onde trabalhava com pesquisas sobre segurança e alinhamento de inteligência artificial geral”, declarou. O Google não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.
Alertas sobre o desenvolvimento da IA
As declarações ocorreram depois de outros pesquisadores alertarem para a possibilidade de a tecnologia causar a morte de todos os seres humanos. Jacob Coxon, ex-Anthropic e OpenAI, afirmou na semana passada que deixou o cargo, em parte, porque profissionais do setor consideram possível que esse desfecho ocorra até o fim da década.
Evan Hubinger, cientista da Anthropic, disse que Coxon estava correto e avaliou em mais de 10% a probabilidade de a IA matar todos os seres humanos na próxima década.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu no fim de semana uma redução no ritmo de desenvolvimento da IA avançada. A proposta teve apoio de Elon Musk, da SpaceXAI, e do CEO da OpenAI, Sam Altman, e gerou debate sobre o chamado catastrofismo em torno da tecnologia.
Bill Gates, cofundador da Microsoft, afirmou que os governos ainda não têm conhecimento suficiente para lidar com as mudanças provocadas pela IA. “Não acho que nenhum governo esteja nem perto de ter o nível de conhecimento necessário sobre isso”, disse em entrevista à Reuters.
Gates também apontou riscos para empregos, ataques e dependência de companheiros virtuais, mas afirmou que a tecnologia pode beneficiar as populações mais pobres se houver administração adequada e acesso igualitário. A fundação que leva seu nome informou na terça-feira (15) que investirá pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 5,15 bilhões) nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.
Chughtai disse que o avanço seguro dependerá de coordenação entre empresas. O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou os alertas e chamou de “farsa” o pedido do setor por regulamentação.

