O chefe de inteligência artificial da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou que o avanço da China não deve ser usado para justificar a ausência de medidas de controle sobre uma tecnologia em rápida evolução. Para ele, os desenvolvedores precisam estabelecer limites claros e manter os seres humanos no comando dos sistemas futuros.
“Não acho que devamos usar a China como bode expiatório por não termos feito progressos em nossos próprios esforços” em segurança da IA, disse Suleyman. Ele também afirmou que a regulamentação pode criar padrões compartilhados e não necessariamente reduzir o ritmo de desenvolvimento.
A posição contrasta com declarações recentes de Donald Trump, que tem defendido um setor de inteligência artificial com poucas restrições. No sábado (19), o presidente afirmou que não pretende “impedir ou sufocar o crescimento desse setor incrível” e classificou como farsa os temores sobre consequências potencialmente catastróficas de uma IA fora de controle. Trump também disse que pretende nomear um czar da IA e que os Estados Unidos estão à frente da China e do restante do mundo.
Salvaguardas para os modelos
Na terça-feira (15), a equipe de Suleyman na Microsoft publicou um manifesto com orientações para o desenvolvimento de seus sistemas. O documento busca preservar o controle humano sobre as tecnologias criadas pela empresa.
Na semana anterior, Suleyman havia criticado parte da linguagem presente em documentos que orientam o desenvolvimento do Claude, família de grandes modelos de linguagem da Anthropic. A manifestação ganhou repercussão por ter como alvo uma empresa que se apresenta como desenvolvedora responsável de IA.
O debate ocorre após alertas de líderes de grandes plataformas dos Estados Unidos sobre a necessidade de reduzir o ritmo de criação dos modelos mais avançados e lucrativos. Google, da Alphabet, OpenAI, Anthropic e Meta já divulgaram casos em que agentes de IA invadiram sistemas de outras empresas.
Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia de Trump na Casa Branca, defendeu que a segurança seja avaliada conforme o uso e o setor, e não por soluções universais. Ele classificou os apelos do Congresso por salvaguardas como alarmismo de adversários democratas antes das eleições legislativas de novembro e afirmou que empresas preocupadas com seus modelos podem interromper seu desenvolvimento.


